24 de julho de 2015

Discurso de Ódio - Monopólio da Virtude (parte 2)

A falácia do "discurso de ódio" é uma das ferramentas mais básicas para alcançar o monopólio da virtude. E a esquerda utiliza esta ferramenta diariamente. 

Trata-se de um conceito abstrato e totalmente relativo a opinião de quem aponta os dedos e acusa os demais. Pode ser desde um pequeno xingamento a uma ameaça real de morte. Pode ser uma piada de mau gosto ou uma sátira teatral ridicularizando alguém. E por aí vai. É um conceito tão elástico que mal podemos saber do que se trata. E a evidência de que ele é uma mera ferramenta para alcançar o monopólio da virtude pode ser vista na própria realidade cotidiana de quem lida com política.

Quem aí não lembra daqueles tweets feitos contra Joaquim Barbosa, quando ele condenou os réus do Mensalão? As mesmas pessoas que outrora acusariam de racista um comediante por fazer um personagem negro na TV, passaram a adotar a silenciosa postura dos coniventes, ignorando xingamentos mais graves e até muito agressivos a um homem por causa da cor de sua pele. Quando os xingamentos foram direcionados a uma pessoa da oposição, alguém que se posicionou contra o PT, já não fazia mais nenhuma diferença o fato de ser um "negro oprimido" ou mesmo um ser humano - pois julgo que não se ofende assim pessoas de qualquer cor de pele. Nenhum blogs ou jornal de esquerda fez textos ou artigos criticando estas posturas. Nada. Somente o silêncio sepulcral imperou do lado de lá.



E no dia em que o ídolo da esquerda, o excelentíssimo senhor Jean Wyllys, usou de forma pejorativa chamar um internauta de "negro gordo"? Mais uma vez, a esquerda se calou. Nenhum DCE fez intervenção. Nenhum movimento negro escreveu notas de repúdio. O PSOL não publicou qualquer tipo de retratação e, pior que isso: o deputado ainda escreveu outro tweet depois reforçando sua posição. Absolutamente nenhum intelectual ou blogueiro de esquerda comentou o fato. Mas sabemos perfeitamente o que teria acontecido se fosse alguém de outra vertente, de outros partidos, etc. Iam acusar de discurso de ódio, é claro. Talvez até rolasse processo por racismo. Quem duvida?



Se bem que, ao analisarmos o histórico da esquerda, logo descobrimos que esta atitude é comum. Não é por acaso que hoje mesmo os socialistas digam defender causas LGBT, direitos raciais, feminismo e outras pautas sociais, enquanto ao mesmo tempo apoiam as ditaduras cubana e norte-coreana, onde não existe liberdade alguma para homossexuais ou mulher. Eles também defendem feminismo ao mesmo tempo em que apoiam países com governos muçulmanos radicais, cuja cultura inclui apedrejamento público de mulheres que desobedecem seus maridos. A mesma esquerda ainda usa, até hoje, camisetas com o rosto de Che Guevara, o tratando como um herói, ignorando que ele foi diretamente responsável por matar homossexuais durante a revolução cubana além de ter sido assumidamente racista.

Monopólio da virtude é justamente isso: usar de pesos e medidas diferentes para defender ou atacar aquilo que lhe convém. À esquerda, convém defender o socialismo custe o que custar, mesmo que isso resulte em mortes de pessoas que ela finge defender. Afinal, para estas pessoas os fins justificam os meios. Sempre! E aos liberais cabe apenas denunciar estas posturas o quanto for possível.





19 de julho de 2015

Guerra Ideológica - Propaganda - parte 2

Joseph Goebbels foi ministro da propaganda no III Reich e fiel seguidor de Hitler. Mas, quem conhece a história pode afirmar que a máquina criada por ele foi um fator decisivo para que o Nacional Socialismo (Nazismo) chegasse tão longe. Ele, que era um estrategista político dos bons, tinha um conjunto de princípios através dos quais planejava suas ações. 

Goebbels disse: "Propaganda deve prejudicar as políticas e as ações do inimigo."

Traçando paralelos com a realidade política dos nossos tempos, isso é exatamente o que boa parte da esquerda tem feito. Boas campanhas de marketing, excelentes propagandas e muita lábia para ludibriar o público com fumaça e espelhos. Mas, na era da informação, isso se intensificou e tomou outras formas, o que de certo modo não se enquadra mais com outro dos princípios de Goebbels, que dizia: "Propaganda deve ser planejada e executada por uma única autoridade."

Não mais. A esquerda evoluiu muito desde aquela época. Hoje, fazem exatamente o oposto do que propôs Goebbels. E não é que ele estivesse errado. Ele estava correto em seu contexto histórico. A questão é que nos tempos atuais existem maiores possibilidades, e uma ferramenta descoberta pela militância de esquerda é justamente a Descentralização da Propaganda.

Agora não é mais o partido que detém o poder para difundir suas próprias ideias ou atacar as ideias opostas. Eles fazem muito melhor do que isso. Propagam suas ideias através de militantes "independentes", movimentos sociais "apartidários", blogs "neutros" e analistas políticos "imparciais". E para que isso seja bem convincente, o que estes propagandistas de menor escala fazem? Eles de fato tecem pequenas críticas ao partido, que são sempre críticas bem pontuais, mas fazem questão de ressaltar outros pontos que são, para eles, qualidades do partido ou defeitos dos inimigos. E assim cria-se a ilusão de que houve uma crítica imparcial, quando na realidade o que fizeram foi apenas morder de leve e assoprar depois para sarar a ferida.

Essa propaganda descentralizada tem resultados práticos muito mais significativos nos tempos de hoje. Quando você vê uma propaganda política na TV, dadas as circunstâncias históricas, é mais do que natural considerar que são apenas políticos mentindo e prometendo o que não vão cumprir. Esse já não é mais o tipo de propaganda que atinge as novas massas. As gerações nascidas ou crescidas na era da informação costumam beber de outras fontes, geralmente sites de notícia, blogs, canais do Youtube ou, ao menos, livros e artigos publicados em universidades. A televisão, o rádio e os jornais impressos já são instrumentos obsoletos para o novo público, continuam a afetar somente aqueles mais velhos e mais avessos às novas tendências. E é por isso que descentralizar a emissão de conteúdo propagandístico tornou-se uma nova e eficiente arma.

Aqui, outro princípio de Goebbels para a propaganda: "Apenas a credibilidade deve determinar se os materiais de propaganda são verdadeiros ou falsos."

Nota-se nesta princípio um apelo à autoridade formal. Esta ideia é bem simples. Trata-se de criar "verdades oficiais", que sempre partem do governo e, consequentemente, do partido que governa. Hoje em dia isso já não funciona com tanta eficiência, mas ainda é comum que pessoas procurem as fontes do próprio governo para acreditar nos dados fornecidos por ele. E se o partido for inteligente o bastante para usar estas "verdades oficiais" de modo estratégico, ele só precisa desviar uns dados aqui, outros ali, e a partir disso afirmar o que quiser.

Um exemplo bem recente disso é a suposta "erradicação da pobreza", ferramenta de propaganda muito usada pelo PT na última campanha eleitoral. A mentira foi repetida à exaustão e dados maquiados do governo eram apresentados para sustentá-la. Obviamente poucos foram atrás de averiguar estes dados, mas quem fez isso constatou que o governo apenas mudou os parâmetros de medição, passando a denominar 'classe média' qualquer pessoa com renda per capita acima de R$ 291,00. Alguém que trabalhe no pior dos empregos no Brasil recebe um salário acima desse, o que não é grande coisa.

O mesmo se fez quanto aos índices da educação. O MEC - uma ferramenta do governo e do partido que governa - estipulou, anos atrás, diversas mudanças em regras dos ensinos fundamental e médio. Estas mudanças, em geral, visaram apenas facilitar a aprovação de alunos, sem mudar em nada o sistema educacional em si, tampouco torná-lo eficiente. O resultado prático é que em vez de tornar os alunos mais instruídos, esta mudança apenas facilitou a passagem de ano para aqueles que eram e ainda são mal instruídos. Porém, para a propaganda, o que importa é a "verdade oficial". E oficialmente, mais alunos aprovados se tornou sinônimo de uma melhora no sistema educacional.

Simples, não é?

E, por fim, este princípio do propagandista nazista que é certamente seguido até hoje pela esquerda: "Propaganda deve rotular eventos e pessoas com diferentes slogans ou frases."

Associado a este princípio, há outro pensamento de Goebbels, que versa sobre adotar uma postura e um símbolo únicos e individualizar os adversários em um único inimigo. Será que a esquerda faz isso o tempo inteiro? Óbvio que sim! Eles certamente aprenderam muito com a propaganda nazista. E este princípio é um dos mais fáceis de se observar.

"Isso é coisa de neoliberal reacionário."
"Essa ultra-direita homofóbica."
"Esses neoliberais fascistas."

Todos os rótulos citados acima são pejorativos, e a esquerda os usa para se referir a absolutamente qualquer adversário. Eles não fazem distinção entre conservadores, liberais, libertários, anarquistas, centristas, etc. Qualquer um que faça oposição a algumas de suas agendas já é automaticamente tachado com algum destes rótulos, e isso também é propaganda. A dinâmica é sempre maniqueísta; é o "nós contra eles". Se por um lado nós, os inimigos, somos os fascistas, os reacionários, os "neoliberais", por outro lado eles são os heróis, são a salvação, são a voz do povo oprimido, etc. 

Não é apenas uma brincadeirinha com palavras, meus caros. Isso é a essência da propaganda de Guerra Ideológica. Não é que eles realmente nos vejam como inimigos ou qualquer coisa do tipo, é que a ideologia deles exige que a defesa seja feita de forma desonesta, pois se disserem a verdade suas máscaras caem por terra. E como são obrigados a agir desonestamente sempre, estes grupos acabam perdendo a linha tênue que separa a ideologia daquilo que eles essencialmente são. As militâncias políticas de esquerda podem ser resumidas em três tipos de pessoas: Os sociopatas, que geralmente estão no controle disso tudo; os idiotas úteis, capachos dos sociopatas que fazem o que eles mandam; e os covardes inseguros, que não têm muita convicção de nada mas preferem ficar do lado que for mais confortável. O primeiro grupo é obviamente o menor, é o mais importante e é o melhor instruído. E a nível de propaganda, eles devem ser os nossos alvos.

Tenha como regra que, na política, a credibilidade de alguém é sempre sua melhor arma. A pessoa pode mentir, inventar, roubar, desviar dinheiro e o que for. Se ela conseguir manter credibilidade, sua palavra valerá mais do que a de todos os demais. E só quem tem credibilidade é quem exerce alguma liderança. Por isso é inútil perder tempo atacando pequenos grupinhos ou militantes isolados, exceto se houver uma situação muito propícia. O ideal é sempre minar as lideranças e - vejam só - é exatamente assim que a esquerda opera.

Nas eleições do ano passado, através da Propaganda Descentralizada, o PT criou uma máquina de difamação e calúnias contra todos os adversários, mas em especial contra aqueles que ofereciam maior risco - Marina Silva e Aécio Neves. E esta campanha de difamação e calúnia começou bem antes da campanha oficial. Já em 2013, quando Aécio ainda era apenas um possível candidato, as redes sociais inundaram com montagens e notícias falsas cuja finalidade era desmoraliza-lo. Foi nesta época que surgiu o boato de que ele usava cocaína, um boato que ninguém sabe ao certo a origem, justamente por ter sido algo feito em longos passos através de uma repetição exaustiva. Com tantas repetições deste boato, quando já era época de eleição muitas pessoas simplesmente acreditavam que isso se tratava de uma notícia real. E aqui, estou usando o exemplo de Aécio Neves não para defendê-lo, pois certamente não é nenhum santo. É mais para ilustrar como a Propaganda Descentralizada funcionada baseada, justamente, nestes princípios de Goebbels que citei.

E para fazer um link com o texto anterior, sobre a importância das palavras, entenda é que somente através da propaganda - tanto a descentralizada quanto a centralizada - se torna possível desvirtuar ainda mais os conceitos e minar as políticas adversárias. Veja, por exemplo, aquela notícia publicada por um jornalista brasileiro cujo título era "Espanha privatiza o sol". Pois bem. Quem leu esta matéria sabe que o governo espanhol estipulou algumas restrições para que pessoas não pudessem colocar captadores de energia solar em suas residências. Isso não tem nada a ver com privatização, certo? Mas o "engano" do jornalista não é exatamente acidental. Pelo contrário. É uma maneira eficiente de ajudar a demonizar a palavra "privatizar". E esta demonização do termo é algo bem antigo no ideário socialista, como todos bem sabem. Por isso é comum que usem o termo diversas vezes fora de seu contexto, assim podem desvirtuar seu significado e torná-lo mais fácil de atacar. Isso é quase como uma falácia do espantalho propagandística.

Creio ter discorrido suficientemente sobre os princípios da propaganda ideológica. No próximo artigo, pretendo abordar as reações populares e como elas são exploradas nesta guerra.

Para ver a primeira parte, clique aqui.


18 de julho de 2015

Guerra Ideológica - A importância das palavras - parte 1

Primeiro, três verdades fundamentais que irão pautar esta série de artigos: 1) Existe uma guerra ideológica em andamento há, pelo menos, vinte* anos; 2) Nós, os liberais, estamos perdendo esta guerra - mas recentemente tivemos um levante e; 3) Temos que aprender com nossos oponentes como é que se joga o jogo.

Pois bem. Comecemos por determinar o que é uma Guerra Ideológica.


Trata-se de uma constante batalha, quase sempre invisível ou pouco perceptível, em que se destrói conceitos ou aniquila-se parcialmente sua lógica. Uma ideologia nada mais é que um pequeno conjunto de ideias, com base em algum tipo de doutrina ou filosofia, através da qual exprimimos aquilo que pensamos de um modo mais organizado ou, talvez, limitado. Em vez de explicar para alguém que você é o tipo de pessoa que vai ao cinema frequentemente e lê todas as críticas feitas sobre a maioria dos filmes, basta você se definir como cinéfilo, e logo todos entenderão. Mas aqui falamos mais especificamente de ideologias políticas, que se delimitam através de conceitos mutáveis - não necessariamente relativistas. Um conceito válido pode passar por mudanças sem perder sua validade, desde que estas mudanças sejam pautadas em alguma lógica, com base filosófica e algum sentido moral. A relativização de conceitos, porém, não serve a ninguém senão aos que desejam desvirtuar a ideologia ou a filosofia em questão. E, por desvirtuação, falo literalmente de "tirar a virtude de".

Entretanto, se a desvirtuação conceitual é feita individualmente, ela pode ser considerada um mero acidente. O acidente nada mais é do que aquilo que foge da regra; uma exceção não desejada. Se, por outro lado, a desvirtuação é sistemática e constante, e se ela é feita de modo grupal, torna-se não um mero acidente, mas a regra em si. E é a partir deste instante, em que a desvirtuação ora individual se torna sistemática e grupal, que passa a existir uma Guerra Ideológica. E se o assunto é política, não se engane: é tudo feito de maneira intencional e muito bem planejada.

A importância de tirar a virtude de algo é fazer este algo apodrecer gradativamente. É uma forma de corroer, de dentro para fora, todo o conjunto da obra. Estas táticas de subversão foram criadas há muito tempo. Mais recentemente na história dos homens tivemos Maquiavel, que tratou de explicar de modo mais ou menos claro como realmente funcionava a vida na côrte. Todavia, é provável que nenhum pensador jamais tenha chegado aos pés de Antonio Gramsci no que diz respeito a este assunto. Gramsci que, a propósito, é notoriamente o ideólogo mais importante do socialismo moderno, foi quem desenvolveu mecanismos sistemáticos de subversão e, em consequência disso, criou métodos claros e bem fundamentos para desvirtuar conceitualmente as ideologias e filosofias adversárias. A esquerda, que um século atrás só sabia pegar em armas, matar pessoas e destruir tudo o que tocava, através dos ensinamentos deste pensador passou a se tornar cada vez mais estratégica e metódica. Os resultados disso são bem claros para quem acompanha a política: após o declínio do socialismo no século XX, o fracasso da URSS e a queda do muro, e mesmo após decretarem "O fim da história", os socialistas se reorganizaram, deram a volta por cima e, pouco mais de vinte anos depois estão de volta no controle da situação. Se isso não significa que saibam jogar bem este jogo, não sei o que mais poderia ser.

Esta primeira parte, portanto, vai abordar um pequeno aspecto da Guerra Ideológica que é fundamental: A importância das palavras. Mas não é simplesmente das palavras, é dos conceitos filosóficos, éticos e morais de uma civilização. Abaixo cito alguns conceitos que foram fragilizados por esta guerra:
- Fraternidade
- Liberdade
- Democracia
- Sociedade
- Povo
- História
- Ciência
- Fato
- Verdade
- Golpe
- Ditadura

Estas onze palavras, que são na realidade conceitos abstratos e bastante complexos, sofreram fragilizações e desvirtuações sistemáticas ao longo dos últimos vinte anos. Você duvida? Pergunte a estudantes universitários o que é um "fato" e você verá que boa parte deles definirá o termo de acordo com aquilo que lhes convém. O mesmo vale para quase todos os outros. A relativização conceitual se tornou uma arma, e esta arma é usada contra todos aqueles que realmente prezam pela lógica e pela razão. Até mesmo os termos "lógica" e "razão" já não parecem tão claros hoje quanto foram um dia. Mas, atenha-se a três ou quatro das onze palavras que coloquei acima.

- Democracia.

Originalmente, "poder do povo" ou "governo do povo". Em tese, a ideia é que todos os cidadãos participem igualitariamente nas decisões sociais. Isso já era abstrato o bastante, mas tendo em mente que este tipo de sistema funciona com base em votos, dá para resumi-lo desta forma sem prejuízos. Porém, algumas variações deste conceito passaram a ser frequentemente usadas nos últimos anos, e elas significam algo tão diverso do conceito original que deveríamos considerar abominável o seu uso.

"Vamos democratizar a mídia." 
"Queremos a democratização do acesso às informações."

Frases como estas acima demonstram bem o que digo. O termo "democratizar" é, na realidade, um belo eufemismo para "fazer o que nós queremos". Seria honesto dizer que este termo significa praticamente o oposto de sua referência original, pois quando se fala em "democratizar" a mídia o que realmente estão dizendo é estatizá-la ainda mais - visto que ela já funciona por meio de concessões estatais. Qualquer pessoa sensata ou com um mínimo embasamento político entende o real significado do termo, mas pessoas um pouco mais leigas ou a legião dos robôs da militância jamais parou para analisar, pois sua programação genérica os permite apenas reproduzir o que ouvem dos outros. E aí mora o perigo. A desvirtuação do significado real de democracia passa a se tornar uma bandeira, e como o seu uso é frequente e metódico, acaba passando despercebido ao longo do tempo. A repetição da mentira, como ensinou Goebbels (outro grande estrategista ideológico do mal), é realmente uma boa forma de torná-la uma verdade.

- Sociedade / Povo.

Estas duas palavras, que já são naturalmente muito abstratas, passaram a ter um significado muito mais restrito nas últimas décadas. Originalmente os termos se referiam, podemos dizer, a quaisquer pessoas que integrem o grupo social. Se mil pessoas vivem em um mesmo espaço delimitado como cidade, estado ou país, então estas mil pessoas são uma sociedade ou um povo. Só que isso passou a ser desvirtuado com o tempo. Primeiro, começaram a chamar de "povo" somente aqueles que eram a "maioria", e geralmente os populistas referiam-se ao "povo" quando falavam das pessoas pobres. Hoje, isso está ainda mais distante da realidade, pois o termo passou a significar, basicamente, "aqueles que concordam com o governo". Não é raro vermos petistas distinguindo pessoas de oposição daquelas que votam no PT. E nesta hora o maniqueísmo social entra em cena, pois divide-se de um lado a "elite golpista" e, do outro, o "povo", que obviamente são as pessoas que apoiam o partido.

Sociedade, por fim, é um conceito com uma distorção de maior abstração. Os grupos de militância passaram a usar este termo com cada vez mais frequência e sempre que se referem a algo que, em verdade, não podem provar. Por exemplo: "A sociedade é machista." Esta afirmação não requer prova, pois não se está acusando indivíduos, mas uma coletividade tão elástica, tão ampla, que é impossível sequer delimitá-la. E se você questionar estes militantes, eles dirão que "é assim que pensa a maioria na sociedade", pois não têm qualquer tipo de sustentação lógica. E se você quiser ser científico, mostrando a eles que as evidências negam a afirmação, e que em verdade algumas pessoas são machistas e outras não são, estes militantes dirão que você é alienado pela "mídia golpista", e o debate acaba por aí mesmo. O que vier depois disso é dispensável.

- Ciência

Ah! A ciência... Esta pobre criatura que sofre tanto.

É um fato indiscutível: quase todas as pessoas que usam apelos "à ciência" não possuem real conhecimento do que significa a ciência. Método científico, então, pode esquecer. Carl Sagan já havia deixado claro em vida o quanto as pessoas gostam de - com o perdão da palavra - cagar regra. Mas isso ainda não é uma desvirtuação, é apenas falta de compreensão ou conhecimento. A desvirtuação começa quando se usa "a ciência" para defender coisas que são cientificamente indefensáveis. E ocorre também o inverso disso, quando se nega verdades científicas, sabendo que são verdades, apenas por uma questão ideológica.

Nas militâncias ocorre os dois tipos de desvirtuação com quase a mesma constância. De um lado, os "militantes científicos". Eles criam um universo paralelo no qual o que dizem possui base em estudos, empirismo e lógica formal. Do outro lado, há os militantes quase religiosos, fanáticos, que reagem negativamente a qualquer argumento verdadeiramente científico. É como a lógica do feminismo moderno, que ignora qualquer dado estatístico em prol da causa ou, se não faz isso, simplesmente espreme as estatísticas para que elas digam aquilo que querem que seja dito. O vlogger Clarion chegou a fazer um vídeo interessante explicando exatamente como as feministas fazem esta "brincadeirinha" com os números.

A partir destes casos, "ciência" passou a ser um termo totalmente sem sentido. Dia e noite grupos ideológicos lançam suas pesquisas, todas elas viciadas, para comprovar aquilo que eles querem que seja verdade. Foi como aquele "erro" do IPEA, no ano passado, que lançou uma matéria acusando 63% da população brasileira de defender o estupro de "mulheres vulgares". Além de ser um tipo de pesquisa em nada científica, após terem desonestamente divulgado a manchete, fizeram uma notinha se desculpando por um erro de método... Na mesma onda, outros grupos tratam de invalidar forçadamente qualquer pesquisa real, científica, que vá contra aquilo que a ideologia prega. Mas, quais grupos fazem isso, afinal? Aqueles que justamente se esforçam por defender causas ilógicas, pautas irracionais e discursos vagos. Pois a política realmente tem disso, e muito. Pessoas compram ideias que parecem boas e que são bem vendidas, não ideias que "estão certas". De um modo geral, a natureza humana tende a convergir com aquilo que agrada, não com o que é certo. E é obviamente mais cômodo ignorar fatores que vão contra aquilo que você defende, visto que vivemos em uma era na qual palavras parecem valer mais do que os resultados.

- Conclusão.

Não é mero acaso que existam tão poucos ideólogos nas ciências exatas e tantos nas áreas artísticas ou não-científicas. A razão disso é bem simples. Desvirtuar conceitos da física, da química ou da matemática exigiria um esforço fenomenal e, ainda assim, seria bem difícil de realmente acontecer. Mas desvirtuar conceitos de economia, filosofia, mentir sobre fatos históricos e ignorar completamente qualquer estudo válido para defender uma teoria política falida, é tão fácil que absolutamente qualquer zé roela consegue. Afinal, pode-se facilmente ignorar evidências históricas, mas é impossível ignorar as leis da gravidade ou da inércia. Pode-se  facilmente misturar teoria do valor-trabalho com alguma tese sobre "os males do capitalismo na Somália", só para sustentar uma ideia maluca. Mas se você jogar umas gotas de água em cima de 100 ml de H2SO4, o resultado será uma reação química inevitável, e pouco importa a sua opinião.

Em poucas palavras, é fácil demais brincar com conceitos filosóficos, desvirtuá-los e até mesmo apresentar teses sem pé nem cabeça sobre os mais diversos temas sociais. E quando se tem objetivos políticos em mente - e sempre se tem, afinal - estas desvirtuações funcionam muito bem para tirar as armas do oponente e correr livremente pelo vale sem críticas e sem adversários à altura. É muito mais estratégico minar o adversário em silêncio do que partir para cima dele com as armas em punho. Um boxeador sobe ao ringue ciente de quem vai enfrentar, e esta é a natureza do esporte. Um político amador, diante das investidas do inimigo, nem sempre sabe com quem está lidando. E esta é a natureza da política.

Por isso a Guerra Ideológica é tão importante.

No próximo texto, falarei sobre Propaganda.

*Vinte anos considerando que houve uma perda de influência muito forte no fim dos anos de 1980, mas a verdade é que já existe guerra ideológica desde a Segunda Guerra Mundial, para citar um exemplo onde isso ocorreu mais formalmente.

3 de julho de 2015

O malabarismo intelectual da esquerda 'libertária'

Membros do Coletivo Nabuco na "Marcha das Vadias", em 2014, mostrando como é terrível a alma de pessoas que utilizam nomes de gente morta - portanto indefesa - para homenageá-las.

O assunto em pauta nos últimos meses tem sido a redução da maioridade penal. Diante disso, o pessoal da esquerda libertária tem agido muito mais como esquerda e muito pouco como libertários. Eis o problema desses conceitos ideológicos vagos que temos no Brasil. O site Mercado Popular é interessante, já encontrei ótimos artigos escritos lá. Digo até que boa parte do conteúdo é bom e, por isso, recomendo que acessem, mas é impossível ignorar o que este grupo tem feito com relação ao assunto da maioridade. O malabarismo intelectual chegou às raias da insanidade hoje. Entretanto, vamos contextualizar.

Num artigo publicado no dia 2 de abril deste ano, intitulado "Será que devemos reduzir a maioridade penal?", o site começa bem, apresentando informações que são óbvias e que todos já conhecem, mas logo nos primeiros parágrafos surge a primeira falácia ou, melhor dizendo, mentira.

O texto diz: 
"[...]se a reincidência em presídios normais é muito maior que nas Fundações Casa, existe chance de redução da maioridade penal colocar esses jovens em uma verdadeira escola do crime e com isso a criminalidade aumentar invés de diminuir."
Após longa argumentação, em parte até correta, ainda que usada de forma 'sofismática' - ou seja, para defender algo que não se aplica ao argumento - o mesmo artigo diz o seguinte:
"Como apontado inicialmente, a reincidência criminal no Brasil é de 70%. Nas Fundações Casa, mesmo com muitas críticas feitas a elas, a reincidência é bem menor, chegando no máximo a 22%. Ou seja, talvez medidas educativas, oportunidades de emprego e trabalho, técnicas para ressocialização como fazer faculdades e cursos fora façam mais sentido do que a lógica atual do encarceramento."
Qual é o problema com este argumento de baixa reincidência na Fundação Casa? O problema é que ele se trata de uma manipulação estatística muito simples. Esta manipulação não foi feita pelo Mercado Popular, nem pelo autor do artigo, eles foram meramente vítimas das "brincadeiras" com números que costuma-se fazer muito neste tipo de análise superficial.


Pense: Por qual razão, em um país com sérios problemas de criminalidade, violência urbana, pobreza, entre outros, haveria uma diferença drástica de reincidência entre jovens e adultos? É muito fácil de entender. Simplesmente, os jovens são condenados no Brasil pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que atua sobre eles desde os 12 até os 17 anos, 11 meses e 29 dias de idade. Isso nos dá um período de seis anos em que o adolescente pode ser condenado, solto e cometer outro crime. Caso um jovem seja preso aos 15 anos de idade e cumpra a pena máxima - 3 anos pelo ECA, ele sairá aos 18 anos de idade e qualquer crime que venha a cometer novamente entrará para a estatística dos adultos. Todavia, um adulto tem desde os 18 anos até o dia de sua morte, que pode ser aos 30, 50 ou 90 anos de idade para cometer outros crimes. A janela de reincidência é obviamente maior para um adulto do que para um adolescente. Logo, é impossível atribuir esta suposta baixa reincidência a uma suposta eficiência do sistema sócio-educativo. E eu realmente duvido que o Mercado Popular ou o autor do artigo tenham pensado nisso.

No restante do artigo, há outros argumentos que, como disse, são parcialmente válidos, mas no final há um deles que é simplesmente ridículo. Veja:
"Para além da discussão filosófica da responsabilidade individual do infrator versus a sua condição social, o dado concreto é que em países em que há mais oportunidades de estudo, esporte e lazer para os jovens e trabalho e educação para os adultos, o índice de criminalidade é menor. É isso que deve ser buscado, oportunidades de estudo, e empregos dignos para todos. 
No aspecto geral é interessante observar os países com menores criminalidades e observar como, mesmo em países tão diversos e com tantas dificuldades como o nosso, como a Índia, o índice de crimes bem mais baixo."
Se você possui mais do que dois neurônios, obviamente foi capaz de perceber que o parágrafo de baixo contraria o de cima em essência, mas isso é de menos. Triste mesmo é ver a falácia da condição social ser usada para justificar crimes hediondos, um argumento horrível, que abre precedentes perigosos e que é frequentemente usado pela esquerda socialista.


Qualquer pessoa racional sabe que as motivações de um crime podem variar e que não existe relação de causa e efeito entre pobreza e criminalidade. Uma minoria entre pessoas pobres comete crimes. E assim mesmo, é válido notar que a pobreza só poderia servir como justificativa - poderia, mas não serve - para crimes contra o patrimônio, jamais para crimes contra a vida de alguém ou contra a integridade física. Falta de dinheiro não torna as pessoas potencialmente assassinas, bem como o excesso de dinheiro não torna ninguém mais humano.

Os garotos que queimaram o índio pataxó Galdino, lá em Brasília, em 1997, eram pessoas de classe média, com educação, dinheiro e uma crueldade tão absurda a ponto de atearem fogo a uma pessoa viva sem razão alguma - se é que há alguma razão aceitável para um ato desses. Por outro lado, milhões de brasileiros pobres acordam cedo todos os dias e cruzam a cidade em ônibus lotados para trabalhar, sem jamais roubarem ninguém. Milhões de brasileiros pobres nunca mataram, nem espancaram ou estupraram pessoas. É possível que a pobreza potencialize a criminalidade ou a crueldade de alguém, mas ela jamais é a causa e não há evidências nem estudos no mundo que consigam provar isto. Tal raciocínio pode até ser bem intencionado - o que eu francamente duvido, mas não deixa de ser um erro grotesco de qualquer jeito.


Este artigo ainda incorre em outros erros lógicos, que contrariam qualquer racionalidade e aparentemente beiram a uma religiosidade latente. Basicamente, quando se discute este tema, as pessoas que apontam contra a redução da maioridade costumam misturar questões distintas entre si como se fossem todas elas relacionadas. Por exemplo: fala-se em guerra às drogas ou em falhas da lei. Ok. Eu sei que a guerra às drogas é ruim, por isso sou favorável à descriminalizá-las para que ninguém mais seja preso por vender folhas. Também sei que as leis brasileiras e nosso sistema judiciário são falhos, por isso sou a favor de que sofram mudanças radicais. Entretanto, nenhuma destas questões tem relação com a maioridade penal; são temas distintos. Você não discute sobre ovelhas argumentando em defesa dos lagartos, assim como não aplica normas contábeis em projetos de engenharia mecânica.

A estupidez, no entanto, veio a galope. A página do Mercado Popular no Facebook compartilhou uma matéria do InfoMoney a respeito disso. A matéria é dispensável, mas você pode vê-la aqui. No compartilhamento, a página do MP diz o seguinte:
"A avaliação de João [PhD entrevistado pelo InfoMoney] é aterradora: simplesmente não dá para saber nada. Ele sequer pode avaliar se a redução da maioridade seria boa ou ruim para os brasileiros. Simplesmente não existem dados suficientes para discutir o assunto a sério."
Certo, meus caros. Gostaria de entender um pouco mais sobre isso. Como foi possível que o próprio Mercado Popular e tantos outros grupos tenham se manifestado este tempo todo tão ferrenhamente contrários à redução da maioridade penal se, agora, bastou um PhD dizer o óbvio para todos saberem que não temos dados suficientes? Em abril havia dados suficientes para que o site se posicionasse contrário à medida, ou isto foi feito ignorando completamente questões morais, éticas, lógicas e práticas? Se for o caso de terem se posicionado apressadamente, sem analisarem os dados que tinham, o mais digno agora é reconhecer isto e assumir publicamente que disseram bobagens. Se a intenção era se posicionar apenas para ocupar terreno, sinto dizer que é uma atitude de fé, não de razão. Fundem uma igreja e cobrem dízimo, se for este o caso, mas não tentem desinformar as pessoas através de mentiras misturadas com verdades.

Agora, vamos deixar o Mercado Popular de lado e partir para algo que julgo realmente lamentável: Coletivo Nabuco. Posso ignorar os erros estratégicos do Coletivo, posso fingir que não vejo esse coletivismo mal disfarçado, posso até acreditar que sejam pessoas bem intencionadas - não acredito também, mas não tem como ignorar a imensidão de besteiras que o movimento diz sobre o assunto e que, francamente, eu acharia normal vindo de pessoas ligadas ao PSOL. Se um movimento que se diz libertário usa argumentos que caberiam perfeitamente nos lábios de Luciana Genro, sou obrigado a levantar suspeitas cruéis a respeito disso.

No dia 7 de abril, uma página chamada "Não à redução" postou uma foto com seus argumentos contrários à redução da maioridade penal. Esta foto foi compartilhada também na página do Coletivo Nabuco, no mesmo dia. Não sei se as páginas possuem alguma ligação, mas é razoável pensar que o movimento esteja de acordo com a pauta, pois o compartilhamento foi feito elogiosamente. Já no início de todos os argumentos, você pode encontrar isto:
"Primeiramente, essa proposta fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), regimento criado após a redemocratização do Brasil, que versa sobre todas as questões que envolvem as crianças e adolescentes do país, inclusive medidas socioeducativas para adolescentes em conflitos com a lei. Ademais, todos os tratados internacionais que versam sobre a temática, como as Regras de Beijing (ONU, 1959), a Convenção sobre os Direitos da Criança (ONU, 1989) e os Princípios Orientadores de Riad (ONU, 1990) foram ratificados pelo Brasil, revestindo-se de status normativo-constitucional, o que torna inviável a elaboração de legislação com eles conflitantes."
Por mil demônios! O que acabei de ler foi um parágrafo completo em que ditos libertários apoiam tratados internacionais, usam argumentos legalistas e ainda citam como se fosse algo inquestionável uma organização que tem por finalidade criar regras para o mundo (a ONU). Como agravante eu li também os termos "redemocratização" e "normativo-constitucional", com a conclusão de que tal coisa não pode ser feita por estar em conflito com tudo isso aí. O que posso presumir é que se amanhã a ONU criar um tratado que imponha um reforço na guerra às drogas, e se o Brasil aceitar o tratado, então estes jovens libertários irão apoiar a nova medida e dirão que mudar a lei é inconstitucional. Será?

Se você chegou até aqui e leu a entrevista que o Mercado Popular compartilhou do InfoMoney, ou se já se prestou ao trabalho de pensar, você mesmo será capaz de encontrar o erro - ou, melhor dizendo, a mentira - no argumento usado a seguir, no mesmo texto. Por isso, como um teste de capacidade, não direi qual é o erro. Deixarei que você conclua por si mesmo.
"Números da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça demonstram que as/os jovens de 16 a 18 anos são responsáveis por apenas 0,9% do total de crimes cometidos no país."
Caso você não tenha percebido onde está a mentira no parágrafo acima, dou uma dica: estatísticas.

O texto todo, que me recuso a comentar, contem ainda muitos parágrafos depois destes. Todos eles com erros lógicos, sofismas, estatísticas forjadas e uma porção de bobagens congêneres. Aqueles erros que apontei no Mercado Popular são mais comuns, posso considerar que tenham sido um equívoco, mas me recuso a crer que o Coletivo Nabuco seja o mesmo caso. Esta me parece ser uma situação de pura desonestidade, visto que as afirmações são categóricas e ao mesmo tempo absolutamente ilógicas, com agravante de não terem qualquer embasamento científico. É puro achismo, mas um achismo afirmado com a certeza que só é possível aos desonestos. E o mais inadmissível é a página do Coletivo Nabuco, justamente nesta postagem, fazer uma menção honrosa à Bastiat. Senti pena do francês. Estes indivíduos certamente não captaram muito bem sua mensagem.

Não é à toa que neste documento (veja aqui) eles tenham assinado junto com organizações ligadas ao PT, ao MST e ao PSOL. Afinal, os argumentos são idênticos e igualmente absurdos. Sem contar o fato de que, enquanto libertário, eu esterilizaria minhas mãos caso viesse a tocar no mesmo papel ou na mesma caneta que um integrante do PSOL. Só o fato de terem assinado junto com estes grupos já me faz ter urticária.

Como disse desde o início, a esquerda libertária no Brasil é uma aberração ideológica. Nos Estados Unidos há figuras como Roderick Long*, aqui temos estas figuras execráveis que servem de massa manobra para o interesse de partidos esdrúxulos. Se é para assumirem pautas socialistas de forma socialista, desprezando toda a filosofia liberal e libertária, tudo bem. Eu realmente ficarei mais feliz tendo estas pessoas lá do outro lado. É absolutamente temível que continuem a agir deste jeito enquanto se propõem a serem libertários. É simplesmente contrastante.


Para concluir, só quero dizer que este texto não se trata de defender a ideia da redução ou não. Penso que as pessoas podem ter opiniões diversas sobre os assuntos e isso é muito mais aceitável no meio liberal. O problema reside unicamente na forma e no comportamento. Não dá para aceitar a defesa de argumentos tão fajutos sem abrir mão de pontos essenciais a filosofia liberal ou libertária.

*Long é considerado anarco-capitalista por muitos, libertário ou libertário de esquerda por outros, mas isso é irrelevante, pois os padrões ideológicos em outras culturas são bem diferentes dos nossos.