6 de janeiro de 2015

Propaganda Liberal

O ideal liberal parece difícil de vender. Parte-se do princípio que liberdade gera responsabilidades. Muitos não querem ser responsáveis. É infinitas vezes mais fácil vender a ideia da dependência, instigando pessoas a culparem outras pessoas pelos seus problemas e erros. É mais fácil aceitar um analgésico do que fazer um longo tratamento com antibióticos. 

A esquerda se aproveitou da facilidade em vender suas ideias, ainda que os resultados destas ideias sejam terríveis, e hoje é praticamente hegemônica. Mas, para eles, o resultado terrível é até vantajoso. Você só pode vender o analgésico quando as pessoas sentem dor de cabeça. Nada melhor para causar uma enxaqueca coletiva do que criar, para todos, um monte de problemas. O liberalismo é uma ideia muito honesta, por isso é comum ver, no liberalismo, mais honestidade - não que seja impossível existir um liberal desonesto, é claro. Só que os liberais confundem honestidade com ingenuidade. 

Para conseguirmos propagar as ideias liberais, é preciso fazer as pessoas entenderem que somos a única cura definitiva para os problemas. De nada adianta batermos na esquerda todos os dias, isso é só a metade do serviço. Precisamos, sim, desmentir nossos adversários e expôr suas fraudes eleitoreiras, bem como devemos desmascará-los sempre que for preciso. Mas também precisamos nos colocar a disposição do povo para que todos possam entender: nossas ideias são honestas e são curativas, não apenas analgésicas. Construir as coisas devagar é essencial. Os estatistas e os progressistas não nasceram dominando o mundo. Eles chegaram onde estão fazendo as coisas devagar, planejando a longo prazo. Dominaram a sociedade como um vírus sutil. O vírus infectou a todos, e agora todos "sabem" que o Estado é extremamente necessário e imprescindível para a vida do cidadão. Este pensamento não é questionado porque está enraizado. É difícil para muita gente imaginar uma vida com um Estado menos inchado e menos poderoso. 

Outra coisa que é preciso ter em mente: Nunca devemos subestimar os oponentes. É comum ver por aí os liberais desmerecendo os socialistas, tratando-os como ingênuos, ignorantes ou iludidos. Mas, a verdade é que maioria deles não é iludida ou ignorante. Mesmo entre militantes, que quase sempre desconhecem as teorias, o que existe é um comportamento de massa de manobra muito eficiente, e ali, dentre eles, há desonestidade de sobra. Quem já militou pela esquerda no passado - como eu - sabe que até mesmo alguns destes militantes ignorantes de tudo são conscientes de diversas falhas e fraudes, mas eles se calam por conveniência ideológica. É recomendável que sempre se trate o adversário - neste caso, especificamente - como um ardiloso trapaceiro, um mentiroso, um corrupto, alguém desonesto. Nunca subestime sua inteligência, e nunca superestime sua inocência. A realidade é quase sempre oposta. É essencial que, durante o processo de "venda" das nossas ideias, seja feito sempre o desmascaramento efetivo das fraudes de esquerda, das enganações que eles criam nas pessoas, das mentiras que eles vivem contando. Uma das regras mais importantes na política é que não se deve ficar na defensiva. Dá para citar inúmeros casos de proeminentes políticos, inclusive de grandes partidos, que fracassaram por cair neste erro. É preciso atacar o adversário e apontar suas falhas, ao mesmo tempo em que nossas ideias são expostas de modo positivo.

Já sobre a exposição das ideias liberais, a sugestão é que ela seja tratada como uma venda de um produto. As propagandas de FHC na década de 1990, as propagandas do PT desde 2002, as campanhas do Partido Democrata nos E.U.A., entre outras coisas, são exemplos ótimos de como seguir este caminho. E nós, liberais, temos uma vantagem: Não precisamos mentir! A esquerda precisa mentir para vender suas ideias, pois sabe-se que os resultados alcançados sempre são péssimos. Para vender seus ideais todo socialista precisa de propaganda enganosa. Enquanto isso, nós podemos dizer apenas a verdade. Entretanto, esta nossa verdade precisa ser dita de forma que o povo possa entendê-la. É lógico que a maioria das pessoas não tem conhecimento teórico sobre economia, finanças, história política, etc. Chegar em uma campanha apresentando gráficos, dados, planilhas, e qualquer outra coisa que contenha excesso de conteúdo técnico, é atirar no próprio pé. A linguagem precisa ser popularizada. O discurso da maior parte dos liberais, para as pessoas do povo, soa radical, frio e calculista. As pessoas não gostam disso! Se você é liberal e quer propagar estas ideias, é preciso ser honesto, mas a honestidade deve estar acompanhada da inteligência publicitária.

Exemplos:

- Quando você vê uma propaganda de uma máquina de lavar na TV, a propaganda passa especificações técnicas do produto? Não. Ela mostra apenas aquilo que interessa ao consumidor, que é o preço, o tamanho, a cor, a marca, se vem algum item de brinde, etc. O mesmo vale para qualquer tipo de propaganda, e portanto é preciso que os liberais tenham isso em mente. 

Ao divulgar ideais liberais, dispensem o discurso técnico e a linguagem complexa. Não fiquem citando Mises e Hayek para qualquer pessoa. Poucas são as pessoas do povo que dispõem de tempo ou interesse em leituras deste tipo; as pessoas gostam de ficção científica, romances, livros de contos ou piadas, ou nem gostam de ler e preferem ver um filme. Tenha noção de que elas trabalham, têm uma vida social, têm família, e muitas vezes não possuem tempo de sobra para essa masturbação mental toda.

Então, como vender as ideias liberais?

- Mastigue-as e depois as exponha. Faça um desenho, um videozinho explicativo, algo que seja divertido de se ver. Faça textos curtos, talvez até de cunho humorístico, mas que contenham ideias liberais. Tirinhas na internet, se feitas de maneira inteligente, também podem ajudar. Pensem naquilo que um publicitário pensaria. Apresente aquilo que você gostaria de ver, aquilo que te convenceria a comprar um produto. Outra ideia muito interessante, embora seja mais complexa, é a produção de livros de romance ou ficção com enredo de cunho liberal. E porque não investir no cinema, na música e também nos teatros? É certo que a esquerda tem a vantagem de poder convenientemente usar verba pública para produzir "obras de arte". Mas, o que nos impede de arrecadar recursos com doações, financiamento privado, buscar patrocinadores? Sempre há meios de se conseguir.

Para vender as ideias boas, não basta que elas sejam boas. O melhor carro não é aquele que as pessoas mais vão comprar. As pessoas vão comprar o carro que ofereça para elas alguma vantagem, como preço, conforto, design, mas, principalmente, elas vão comprar aquele que foi melhor divulgado. O liberalismo, entretanto, já possui a vantagem de ser a melhor ideia. Será que é mesmo tão difícil tornar esta ideia vendável? Será que é difícil trazer mais pessoas para o nosso lado? Certamente, não é.

Avante, cavalheiros!

5 de janeiro de 2015

Os sensatos devem rejeitar os insensatos

Sensatez, um sinônimo de prudência e circunspecção, muito provavelmente é a característica mais desejável nas mais diversas áreas humanas. Em política, não é diferente. O problema é que, em se tratando de política, existem duas formas de sensatez: a moral e a estratégica. Sensatez moral é agir com polidez, ponderação, evitar o conflito e partir para ele apenas quando for inevitável. Mas a sensatez estratégica diz respeito a um jogo muito intrincado, que está longe de ser algo dominado pelos liberais atualmente. É por isso que, em política, e principalmente no movimento liberal, os sensatos precisam rejeitar os insensatos.

Sabe-se que o Liberalismo esfriou bastante nas décadas passadas e os resultados disso são catastróficos. Este quadro deu espaço para que a esquerda não apenas crescesse, mas para que ela usurpasse as bandeiras liberais nas lutas por liberdades individuais, conforme foi exposto neste texto. Entretanto, de uns anos para cá, o movimento liberal vem ganhando forças no Brasil e surgem, a toda hora, grupos de discussão, debates, associações e institutos. Há um mercado para isso. Historicamente, nunca tivemos um partido liberal. A imprensa é dominada por uma mentalidade estatista há muito tempo. Toda a cultura latino-americana foi moldada para que não houvesse praticamente nenhuma representatividade neste sentido. Agora, as coisas começam a mudar. Principalmente por este motivo - o de o movimento liberal estar engatinhando - precisa-se ter cuidado redobrado.

Lembrem-se das eleições do ano passado. Lembrem-se do candidato Pastor Everaldo. Ele surgiu dizendo que defendia "livre mercado", "liberdades individuais", entre outros lugares-comuns do pensamento liberal. Por sorte, ele se entregou rápido e deixou escapar suas pérolas. Ficou muito rapidamente evidenciado que de liberal ele tinha apenas o fingimento. Aquilo foi puro marketing de campanha e, se tivessem trabalhado melhor com o candidato, seria possível ele ter recebido votos de mutos liberais ingênuos que engoliriam o discurso. 

Jair Bolsonaro é outro exemplo perfeito. Este nem sequer alega ser um liberal. Ao menos, que se tenha visto, ele nunca disse algo nesse sentido. A anatomia de uma figura como ele é interessante, pois trata-se de um pseudo-conservador estatólatra. Porque "pseudo"? Porque a mentalidade estatólatra e legalista foge bastante do escopo do pensamento conservador, a exemplo de figuras como Ronald Reagan ou, no Brasil, Reinaldo Azevedo e Luiz Felipe Pondé. Um liberal que defenda Bolsonaro abertamente e irrestritamente, apenas pelo fato de ele fazer uma oposição visceralmente teatral à esquerda, cai no conto do fusionismo e sem querer entrega munições aos nossos opositores. Ademais, há de se questionar o que diabos uma figura tão forçosamente opositora ao governo faz em um partido que está na base aliada do PT! No caso de Bolsonaro, não se pode usar nem a desculpa da legenda. Ele receberia votos em qualquer partido. Há de se questionar, ainda, o que faz um homem tão moralista e auto-proclamado ético no mesmo partido de Paulo Maluf! Tudo bem, pode-se reconhecer que a oposição que ele faz ao PT é interessante e movimenta a casa. O melhor, mesmo, seria que houvesse mais gente lá, fazendo oposição como ele faz, mas de um jeito mais eficiente e prudente. Até porque a realidade é uma só: Jair Bolsonaro só recebe tantos votos porque é a única oposição conhecida. É praticamente eleito por votos de exclusão dos anti-petistas.

Para quê citar estas duas figuras emblemáticas da política brasileira? Para apontar os erros de muitos de nós, liberais. É preciso rejeitar os insensatos! É isso ou criaremos falsas dicotomias políticas para sempre, nas quais ficaremos reféns de eleger o melhor entre os piores. É claro que, na falta de opção, eleger o melhor entre os piores ainda é a única saída, estrategicamente falando. Mas isso não significa que tenhamos que alimentar este sistema. Os liberais precisam se unir, sim, mas sempre com os sensatos. E se houverem poucos sensatos, estes deverão tratar de passar a sensatez àqueles que forem insensatos e ainda estiverem passíveis de cura. O que não pode é o movimento liberal se misturar com pessoas e bandeiras contraproducentes à causa. Também não se pode permitir que o movimento renasça com fusões de outros movimentos que não possuem nenhum interesse nas causas liberais.

Um exemplo comum de pseudo-liberal, ou de liberal insensato, para encaixar melhor, é aquela pessoa que defende qualquer ação feita por uma empresa ou pensa que, por querermos menos Estado, necessariamente devemos defender qualquer coisa que seja contrária ao Estado. Mas, não é bem assim! A ética e a moral não são monopolizadas pelo Estado. Elas partem da sociedade, da civilização, às vezes da religião ou do indivíduo, em último caso. E no caso de "defender empresários", este é o liberal insensato que vestiu a carapuça da esquerda contra o movimento. Ele comprou a ideia de que liberalismo é um movimento em prol dos grandes negócios, das empresas, etc. Esse tipo de conduta deve ser rejeitada pelos liberais sensatos, pois o liberalismo é um movimento voltado aos indivíduos, nunca a instituições ou corporações. E um liberal sensato, diante de tal comportamento, tem duas opções: Ele pode execrar o indivíduo, caso perceba que tal comportamento ocorre por desonestidade, ou pode ensiná-lo, se perceber que o comportamento ocorre por ingenuidade. Mas, de modo algum ele deve permitir a associação de sua imagem com a de alguém que deliberadamente deturpe o movimento. E isso tem acontecido com tanta frequência que, embora óbvio, tornou necessário estes dizeres que aqui estão escritos.

Na prática, trata-se de não nos associarmos com qualquer figura apenas por fusionismo ou por empatia. Não se deve misturar as coisas. O movimento liberal que ressurge, agora, precisa se auto-lapidar e se organizar, para que num futuro próximo haja bastante homogeneidade.

4 de janeiro de 2015

Legalismo, um delírio.

O colega Octávio Henrique escreveu, meses atrás, um ótimo artigo fazendo referência ao legalismo, a fé daqueles que acreditam quase cegamente nas leis, daqueles que pensam na lei apenas como intenção, nunca como aplicação de uma ação. Este tipo de pessoa ignora vários fatores sociais, econômicos e políticos que influenciam diretamente na aplicação das leis.

No Brasil, seria possível escrever uma segunda constituição apenas com as leis que são ignoradas por completo ou, ainda, com aquelas que são frequentemente burladas. Muitas são as coisas que, de acordo com a lei, estão erradas; o problema é que leis burras ou desnecessárias tendem a ser ignoradas em uma sociedade. Elas dificilmente se sustentam na prática, embora continuem no papel. Quando instituíram a Lei Seca nos Estados Unidos, em vez de as pessoas pararem de beber, elas criaram contrabando. Exatamente como acontece com a proibição de diversas outras coisas, a exemplo dos produtos pirateados, armas e drogas. 

Outra questão que afeta e muito o funcionamento das leis é o próprio Estado. Esta entidade possui o poder de mudar as leis. Para tornar uma sociedade inteira criminosa, fora da lei, bastaria a seus governantes proibir o consumo de arroz, de carne vermelha ou o uso de cobertores. Mudando a lei, muda-se aquilo que a legislação entende por crime. E é por isso que nem tudo que é legal é necessariamente moral, e nem tudo o que se torna ilegal é necessariamente incorreto.

O texto que Octávio escreveu vai um pouco por fora desta visão, pois ele se refere a outro assunto mais específico. Abaixo, segue o artigo para análise.

Escrevi, recentemente, um texto sobre quão incautos são aqueles que defendem a tese de que, por ser o Comunismo (ou, na linguagem esquerdista, "Socialismo real") um sistema tão ou mais mortífero do que o Nazismo, e sendo a apologia a esta doutrina criminalizada, a apologia às "doutrinas vermelhas" também deveria ser considerada um crime.

No texto, abordei as diversas facetas do problema, entre elas a de que não há uma cultura que sustente essa criminalização e a de que esse tipo de projeto apenas reforça a ideia de que somos necessitados de um Estado-babá que nos diga em que pensar ou não, mas uma em especial, aquela que intitulei Legalismo, um delírio, merece um texto exclusivamente seu, pois não é difícil ver que, em muitos outros casos e em ambos os lados do espectro político-ideológico, esse é um erro comum.

Como no texto supracitado, defino legalismo não tanto como o sentimento de que as leis devem ser cumpridas a qualquer custo, mas principalmente como a crença de que são elas, e não a moral, a cultura ou outro fator de coesão social, que fazem as pessoas serem capazes de discernir entre o certo e o errado, o bom e o mau (e o bem e o mal, por corolário), o verdadeiro e o falso, o belo e o grotesco et cetera.

Não é muito difícil perceber que, a não ser que se creia em direitos naturais (e, portanto, em moral objetiva), este tipo de pensamento faria seus defensores caírem automaticamente no relativismo, pois lugares e culturas diferentes, por mais que tenham algumas leis em comum, inevitavelmente terão muitas que diferirão por causa de suas necessidades de momento, das diferentes ideias que sustentam e até mesmo dos gostos pessoais dos seus líderes de momento.

O problema, porém, é que quando se fala em "o certo", "o bom", "o verdadeiro", "o belo", especialmente para essas mesmas pessoas que defendem a criminalização de certas condutas ou doutrinas por não se encaixarem em qualquer dessas características - e aqui não falo com o neutralismo tedioso de muitos dos meios intelectuais, pois acho comunismo algo abominável em quase todos os sentidos -, não se intenciona discutir sobre o que é mutável até mesmo por simples preferências pessoais, e sim sobre o que, independente de tempo e de espaço, serve como regra universal de julgamento moral, factual, político e estético.

Aliás, falando em tempo, volto às necessidades de momento e pergunto aos legalistas: se são as leis o principal instrumento para discernir o certo do errado, seria a Pena Capital certa durante o Regime Militar e errada em nossos tempos? E, principalmente, se esta mudança se deu pela mudança de percepção da verdade (como de fato ocorreu), como garantir que as atuais leis são as melhores e mais corretas? Seria a verdade, novamente, dependente do que o personagem O'Brien, do genial 1984, escrito pelo mais genial ainda George Orwell, chama de "solipsismo coletivo", isto é, do julgamento de um coletivo determinado sobre o que é verdadeiro e o que é falso?

Já se o apelo for aos direitos naturais, essa crença na força das leis como elementos de geração de repúdio ou apoio moral a determinado item fica ainda mais fragilizada, pois, se os direitos naturais pressupõem (como de fato ocorre) uma moral objetiva, isto significa justamente que, antes de qualquer direito ou dever existir, deve haver uma moral imutável e universalmente válida que o sustente. Como seria, então, o direito responsável pela moral se é a moral que dá origem ao direito, e não o contrário?

O legalismo nos termos aqui colocados, entretanto, é tão frágil que apenas a observação atenta da realidade que nos cerca já seria mais do que suficiente para desmontá-lo. Afinal, se pirataria é crime, por exemplo, por que tantos não só a toleram e dela se utilizam como, em determinadas circunstâncias, também a apoiam moralmente? Será, também, que se certas condutas já não fossem repudiadas quase que por todos em nossa sociedade haveria como sustentar, apenas pela lei, que estão erradas sem cair em uma argumentação circular?

E enquanto os legalistas tentam nos mostrar o mistério de sua fé, os que queriam ver criminalizados e mandados para a lata de lixo da história é que, tão politicamente habilidosos de tão estratégicos e tão estratégicos de tão politicamente habilidosos, sequer precisam se esforçar muito para mostrar quaisquer mistérios que bem prefiram. Eis, meus amigos, o triste fim de quem não acredita no conselho de Goethe: "é urgente ter paciência".

Neste texto, Octávio mostra aquilo que muitos parecem não perceber. Lá no começo, quando ele cita o a ideia de proibição ao comunismo, concordo integralmente com ele. E, ainda, acrescentaria o detalhe: Se hoje, com os nossos costumes e com a ideologia predominante da sociedade, surgisse algum deputado meramente sugerindo tal lei - que proíba o comunismo - o efeito seria exatamente o oposto do desejado. Em vez de haver menos comunistas, certamente haveria mais, porque esta lei estaria violando cabalmente a mentalidade social de nossas gerações. Propor isso agora é tão absurdo quanto seria propor uma proibição ao nazismo durante o III Reich.

Mas, o legalismo ainda nos traz outro ponto. Ele possui uma faceta indireta de legitimação das ações, criando uma cadeia de obediência. A simples ideia de que cumprir a lei - seja ela qual for - é o certo, cria nas pessoas o comportamento de aceitação das ordens totalitárias de um governo. Um exemplo disso é o policial que, obviamente seguindo as leis, prende o vendedor ambulante e apreende seus produtos. Ele (policial) está agindo dentro da lei. Mas esta lei é absolutamente imoral! O vendedor, obviamente, não está fazendo nada de errado, e ainda assim sua venda é ilegal apenas porque ele não possui um alvará. O policial é o agente operador na cadeia de obediência. Ele acata uma ordem, por mais errada que esta ordem seja, e diz: "Estou apenas cumprindo meu dever." Sim. Ele está. O que não significa, em absoluto, que seja algo louvável ou desejável. Usando este mesmo pensamento, agentes da SS e Gestapo perseguiam judeus na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Usando este mesmo raciocínio, pessoas foram exiladas ou presas durante o Regime Militar brasileiro. Tudo em nome da lei e / ou da cadeia de obediência.

É por isso que Legalismo é realmente um delírio!