18 de setembro de 2015

Os dilemas da esquerda anti-proletária

Deve ser duro para a esquerda admitir, nos dias de hoje, que ela deixou de se importar com o proletariado há bastante tempo. Ousaria dizer até que nunca se importou, mas antes o fingimento era pelo menos convincente.

O fato é que a nova esquerda pegou diversas pautas liberais, como a luta contra o racismo, a liberdade sexual, a liberação das drogas e até o feminismo - que originalmente era totalmente diferente do que é hoje - e misturou tudo isso com ideais fascistas de coletividade, unidade, e em alguns casos até o patriotismo, como podemos bem observar na esquerda petista atual. De um modo tipicamente fascista, trouxe consigo o formato populista de discurso, fazendo jus às heranças de Joseph Goebbels que certamente recebeu.

Tudo isso tem uma só finalidade: fazer parte do sistema. A revolta da nova esquerda não é contra as injustiças existentes, é contra o fato de estarem ganhando pouco com elas. Mudar o sistema não é a ideia e se eles chegarem ao poder não é isso o que vão fazer. Tudo o que precisam é, enquanto estão fora, fingir se importar com a maior parte possível de "minorias", que de tantas são até maioria - afinal, desde quando mulheres e negros/pardos são minoria? - e fazer com que isso garanta o ingresso deles ao lado de dentro do sistema. Quando estiverem usufruindo dos recursos que a injustiça usurpa do povo, então esta esquerda estará satisfeita e será defensora do regime vigente. É a história do PT. Com o PSOL será a mesma coisa.

Entretanto, curioso mesmo é ver o quão pouco essa nova esquerda se importa com o povo. Embora o discurso pareça bonito, "em defesa dos pobres", na prática esta massa de manobra chamada de militância não está nem aí para o que os pobres realmente pensam. O que eles querem é viver de ludismo e acreditar que o mundo será mais feliz sem consumismo. Os pobres, na visão deles, são seres inferiores que não sabem o que é melhor para si próprios. Eles, os iluminados pelo saber celestial, é que realmente sabem. Por isso defendem bike-ativismo, por isso querem "ocupar" a cidade com sua "arte", por isso querem usurpar dinheiro do erário público para fomentar suas peças de teatro que absolutamente ninguém quer ver. O peão de fábrica que trabalha de segunda a sábado não quer andar de bicicleta. Se ele usa o veículo é por falta de opção ou por ser vantajoso para ele de alguma forma, não por consciência social. O sonho do peão é ter seu carro, sua moto, a TV de Plasma para ver o futebol no domingo e outras coisas bem mundanas que lhe oferecem segurança e conforto. Consciência social e gosto por "arte" de rua é coisa de garotos mimados que são sustentados por... proletários.

Se essa nova esquerda quisesse mesmo levar em conta a opinião do povo, dos trabalhadores, a primeira coisa que fariam é parar de gastar o dinheiro deles - porque somente pobres pagam impostos de fato - com produção de música autoral independente e pichação. Inclusive, é irônico dizer isso mas Jean Wyllys, um deputado eleito pelo povo e vitorioso em um programa de TV através do voto popular, chegou a dizer em entrevista que o povo não tem discernimento para votar e escolher sobre certos temas. O que é isso senão uma declaração oficial de que está se lixando para a opinião popular?

Pois bem. Esta esquerda não liga para o povo e nunca ligou. Ela só precisa da população na hora de pedir os votos, por isso apela a todas as formas de discurso inflamado e populista. Por isso apela para a velha estratégia de "nós contra eles", criando um maniqueísmo político no qual estão sempre "do lado do povo" e contra "os inimigos do povo". Um grupo de pessoas que luta em favor de aumentar impostos e sai às ruas apoiando uma estatal que foi usada para desviar bilhões de reais obviamente não se importa com os pobres. Eles só se importam 
com partidos.