12 de setembro de 2015

A teoria da ferradura - Jair Bolsonaro e Hugo Chávez são gêmeos bivitelinos

A Teoria da Ferradura tem um nome óbvio. Em uma análise do espectro político que leve em conta a dicotomia "esquerda e direita", a ferradura contempla a ideia de duas pontas extremas que se aproximam ou quase se tocam. Em uma ferradura, a ponta esquerda está muito próxima da ponta direita, e ambas estão mais afastadas do centro. O pequeno espaço entre as pontas é representado por divergências meramente pontuais entre um grupo e outro.

Embora seja questionável, ainda mais no Brasil, qualificar alguém com a característica de "extrema-direita", visto o histórico de deturpação do conceito, é quase unânime a ideia de que Jair Bolsonaro representa o lado direito do espectro. Ao menos é assim que os próprios grupos se reconhecem. Estes mesmos grupos e seus opositores consideram o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez como um representante da extrema-esquerda, do socialismo em si. O que a história se encarrega de mostrar é a proximidade evidente entre ambos, e neste caso não se trata de uma questão ideológica, é mais alguma coisa no âmbito prático e comportamental.



Apesar de Jair Bolsonaro se mostrar como um ferrenho caçador de comunistas, sua postura seria louvável no PSUV. E o próprio Hugo Chávez, com sua raiz militarista e comportamento agressivo, se fosse um político brasileiro seria seguido e adorado pelos mesmos que hoje idolatram o "Bolsomito". O discurso provocativo e agressivo é marca registrada de ambos, e se a new left não fosse um antro de hipocrisia e falta de ética trataria Hugo Chávez com as mesmas acusações que usam contra Bolsonaro. O ex-presidente venezuelano, dado seu histórico de discursos e somado ao histórico de seu sucessor, poderia ser tachado de homofóbico até com mais veracidade do que as acusações feitas contra o deputado brasileiro. Luciana Genro, que aqui no Brasil faz pose de defensora da causa LGBT, na Venezuela sobe em palanque para pedir votos em nome de Nicolás Maduro, assumidamente preconceituoso, um homem que já fez discursos públicos contra os homossexuais que fariam Levy Fidelix parecer um santo.

Outra coisa que ambos têm em comum é o pensamento coletivista e patriótico. Os dois, cada um da sua própria maneira, defendem praticamente as mesmas coisas e se arrogam falar em nome do povo. São tipicamente populistas e nacionalistas. E Jair, assim como Hugo, já fez diversos discursos contra a privatização, chegando a sugerir que FHC deveria ser fuzilado por ter privatizado a Telebrás. Tal como Hugo Chávez, porém com menos poder, Bolsonaro também já mentiu sobre diversos assuntos e defende princípios que em geral não pratica. O venezuelano, antes de ser eleito, jurava que não nacionalizaria nenhuma empresa, que deixaria a imprensa livre e que iria devolver o poder após cinco anos. Bolsonaro mente de forma diferente, mas mente. Sua falsa oposição ao governo PT é até bem convincente, mas a realidade é que Jair está no PP desde sempre, e o partido que ele representa sempre foi base aliada do governo petista. Da mesma forma, o deputado faz frequentes discursos anti-corrupção, mas está no partido de Paulo Maluf - há contradições severas entre a ação e a prática.

De uns tempos para cá, Bolsonaro percebeu - como vários políticos - o crescimento da vertente liberal no país e começou a fingir uma aproximação. Muitos leigos, ávidos por "alguém que se oponha", acabam engolindo essa história. Mas ninguém leva em consideração o fato de que nas votações mais polêmicas o deputado quase sempre se abstém ou simplesmente não se pronuncia. Hugo Chávez, por outro lado, provou que mentia quando fez tudo o que pode para permanecer por tempo vitalício no poder, e quando nacionalizou bancos e protegeu toda a economia. Jairzinho faria o mesmo nas terras tupiniquins se tivesse o poder. Ele entregaria todo o controle da economia nas mãos de um Estado militar e iria colocar de volta às pautas escolares a disciplina de educação moral e cívica, trazendo à tona todo o ritual de devoção ao autoritarismo.

Há, ainda, outra similaridade forte entre ambos: seus fãs. Os fanáticos da extrema-direita e da extrema-esquerda são tão diferentes, mas tão diferentes, que quase se chocam no diagrama da ferradura. Os fãs de Bolsonaro são rápidos no gatilho para criticar qualquer erro cometido pela esquerda (não que eu discorde), mas quando um erro exatamente igual é cometido pelo próprio "Bolsomito" a legião de seguidores corre para justificar a atitude. O malabarismo moral é tão absurdo que chega a ser hilário, pois é exatamente o que a esquerda faz para defender o PT e o PSOL. Se você mostrar aquele vídeo em que Lula mentiu na campanha de 2002 sobre ser contra o assistencialismo, onde ele fala que bolsa-escola é moeda de campanha, petistas saltarão em sua defesa e deixarão a razão de lado se preciso for. Da mesma forma, quando você aponta os erros cometidos pelos regimes socialistas, surgem todos os tipos de desculpas. É uma elasticidade moral de dar inveja.

O fato é que, aceitem ou não, Bolsonaro não é nada de especial. É um político, oportunista como todos os outros políticos. É uma pessoa esperta, raposa velha, disposta a tudo para conquistar seu espaço e garantir os luxos pelo resto de sua vida. Se ele realmente discordasse das pautas progressistas de seu partido poderia sair dele a hora que quisesse. Ele inclusive teria votos suficientes para se eleger em qualquer legenda. Se ali está, é por querer ficar.

Vídeo de Bolsonaro dizendo que FHC deveria ser fuzilado



Entrevista em que Hugo Chávez mentiu gravemente