19 de julho de 2015

Guerra Ideológica - Propaganda - parte 2

Joseph Goebbels foi ministro da propaganda no III Reich e fiel seguidor de Hitler. Mas, quem conhece a história pode afirmar que a máquina criada por ele foi um fator decisivo para que o Nacional Socialismo (Nazismo) chegasse tão longe. Ele, que era um estrategista político dos bons, tinha um conjunto de princípios através dos quais planejava suas ações. 

Goebbels disse: "Propaganda deve prejudicar as políticas e as ações do inimigo."

Traçando paralelos com a realidade política dos nossos tempos, isso é exatamente o que boa parte da esquerda tem feito. Boas campanhas de marketing, excelentes propagandas e muita lábia para ludibriar o público com fumaça e espelhos. Mas, na era da informação, isso se intensificou e tomou outras formas, o que de certo modo não se enquadra mais com outro dos princípios de Goebbels, que dizia: "Propaganda deve ser planejada e executada por uma única autoridade."

Não mais. A esquerda evoluiu muito desde aquela época. Hoje, fazem exatamente o oposto do que propôs Goebbels. E não é que ele estivesse errado. Ele estava correto em seu contexto histórico. A questão é que nos tempos atuais existem maiores possibilidades, e uma ferramenta descoberta pela militância de esquerda é justamente a Descentralização da Propaganda.

Agora não é mais o partido que detém o poder para difundir suas próprias ideias ou atacar as ideias opostas. Eles fazem muito melhor do que isso. Propagam suas ideias através de militantes "independentes", movimentos sociais "apartidários", blogs "neutros" e analistas políticos "imparciais". E para que isso seja bem convincente, o que estes propagandistas de menor escala fazem? Eles de fato tecem pequenas críticas ao partido, que são sempre críticas bem pontuais, mas fazem questão de ressaltar outros pontos que são, para eles, qualidades do partido ou defeitos dos inimigos. E assim cria-se a ilusão de que houve uma crítica imparcial, quando na realidade o que fizeram foi apenas morder de leve e assoprar depois para sarar a ferida.

Essa propaganda descentralizada tem resultados práticos muito mais significativos nos tempos de hoje. Quando você vê uma propaganda política na TV, dadas as circunstâncias históricas, é mais do que natural considerar que são apenas políticos mentindo e prometendo o que não vão cumprir. Esse já não é mais o tipo de propaganda que atinge as novas massas. As gerações nascidas ou crescidas na era da informação costumam beber de outras fontes, geralmente sites de notícia, blogs, canais do Youtube ou, ao menos, livros e artigos publicados em universidades. A televisão, o rádio e os jornais impressos já são instrumentos obsoletos para o novo público, continuam a afetar somente aqueles mais velhos e mais avessos às novas tendências. E é por isso que descentralizar a emissão de conteúdo propagandístico tornou-se uma nova e eficiente arma.

Aqui, outro princípio de Goebbels para a propaganda: "Apenas a credibilidade deve determinar se os materiais de propaganda são verdadeiros ou falsos."

Nota-se nesta princípio um apelo à autoridade formal. Esta ideia é bem simples. Trata-se de criar "verdades oficiais", que sempre partem do governo e, consequentemente, do partido que governa. Hoje em dia isso já não funciona com tanta eficiência, mas ainda é comum que pessoas procurem as fontes do próprio governo para acreditar nos dados fornecidos por ele. E se o partido for inteligente o bastante para usar estas "verdades oficiais" de modo estratégico, ele só precisa desviar uns dados aqui, outros ali, e a partir disso afirmar o que quiser.

Um exemplo bem recente disso é a suposta "erradicação da pobreza", ferramenta de propaganda muito usada pelo PT na última campanha eleitoral. A mentira foi repetida à exaustão e dados maquiados do governo eram apresentados para sustentá-la. Obviamente poucos foram atrás de averiguar estes dados, mas quem fez isso constatou que o governo apenas mudou os parâmetros de medição, passando a denominar 'classe média' qualquer pessoa com renda per capita acima de R$ 291,00. Alguém que trabalhe no pior dos empregos no Brasil recebe um salário acima desse, o que não é grande coisa.

O mesmo se fez quanto aos índices da educação. O MEC - uma ferramenta do governo e do partido que governa - estipulou, anos atrás, diversas mudanças em regras dos ensinos fundamental e médio. Estas mudanças, em geral, visaram apenas facilitar a aprovação de alunos, sem mudar em nada o sistema educacional em si, tampouco torná-lo eficiente. O resultado prático é que em vez de tornar os alunos mais instruídos, esta mudança apenas facilitou a passagem de ano para aqueles que eram e ainda são mal instruídos. Porém, para a propaganda, o que importa é a "verdade oficial". E oficialmente, mais alunos aprovados se tornou sinônimo de uma melhora no sistema educacional.

Simples, não é?

E, por fim, este princípio do propagandista nazista que é certamente seguido até hoje pela esquerda: "Propaganda deve rotular eventos e pessoas com diferentes slogans ou frases."

Associado a este princípio, há outro pensamento de Goebbels, que versa sobre adotar uma postura e um símbolo únicos e individualizar os adversários em um único inimigo. Será que a esquerda faz isso o tempo inteiro? Óbvio que sim! Eles certamente aprenderam muito com a propaganda nazista. E este princípio é um dos mais fáceis de se observar.

"Isso é coisa de neoliberal reacionário."
"Essa ultra-direita homofóbica."
"Esses neoliberais fascistas."

Todos os rótulos citados acima são pejorativos, e a esquerda os usa para se referir a absolutamente qualquer adversário. Eles não fazem distinção entre conservadores, liberais, libertários, anarquistas, centristas, etc. Qualquer um que faça oposição a algumas de suas agendas já é automaticamente tachado com algum destes rótulos, e isso também é propaganda. A dinâmica é sempre maniqueísta; é o "nós contra eles". Se por um lado nós, os inimigos, somos os fascistas, os reacionários, os "neoliberais", por outro lado eles são os heróis, são a salvação, são a voz do povo oprimido, etc. 

Não é apenas uma brincadeirinha com palavras, meus caros. Isso é a essência da propaganda de Guerra Ideológica. Não é que eles realmente nos vejam como inimigos ou qualquer coisa do tipo, é que a ideologia deles exige que a defesa seja feita de forma desonesta, pois se disserem a verdade suas máscaras caem por terra. E como são obrigados a agir desonestamente sempre, estes grupos acabam perdendo a linha tênue que separa a ideologia daquilo que eles essencialmente são. As militâncias políticas de esquerda podem ser resumidas em três tipos de pessoas: Os sociopatas, que geralmente estão no controle disso tudo; os idiotas úteis, capachos dos sociopatas que fazem o que eles mandam; e os covardes inseguros, que não têm muita convicção de nada mas preferem ficar do lado que for mais confortável. O primeiro grupo é obviamente o menor, é o mais importante e é o melhor instruído. E a nível de propaganda, eles devem ser os nossos alvos.

Tenha como regra que, na política, a credibilidade de alguém é sempre sua melhor arma. A pessoa pode mentir, inventar, roubar, desviar dinheiro e o que for. Se ela conseguir manter credibilidade, sua palavra valerá mais do que a de todos os demais. E só quem tem credibilidade é quem exerce alguma liderança. Por isso é inútil perder tempo atacando pequenos grupinhos ou militantes isolados, exceto se houver uma situação muito propícia. O ideal é sempre minar as lideranças e - vejam só - é exatamente assim que a esquerda opera.

Nas eleições do ano passado, através da Propaganda Descentralizada, o PT criou uma máquina de difamação e calúnias contra todos os adversários, mas em especial contra aqueles que ofereciam maior risco - Marina Silva e Aécio Neves. E esta campanha de difamação e calúnia começou bem antes da campanha oficial. Já em 2013, quando Aécio ainda era apenas um possível candidato, as redes sociais inundaram com montagens e notícias falsas cuja finalidade era desmoraliza-lo. Foi nesta época que surgiu o boato de que ele usava cocaína, um boato que ninguém sabe ao certo a origem, justamente por ter sido algo feito em longos passos através de uma repetição exaustiva. Com tantas repetições deste boato, quando já era época de eleição muitas pessoas simplesmente acreditavam que isso se tratava de uma notícia real. E aqui, estou usando o exemplo de Aécio Neves não para defendê-lo, pois certamente não é nenhum santo. É mais para ilustrar como a Propaganda Descentralizada funcionada baseada, justamente, nestes princípios de Goebbels que citei.

E para fazer um link com o texto anterior, sobre a importância das palavras, entenda é que somente através da propaganda - tanto a descentralizada quanto a centralizada - se torna possível desvirtuar ainda mais os conceitos e minar as políticas adversárias. Veja, por exemplo, aquela notícia publicada por um jornalista brasileiro cujo título era "Espanha privatiza o sol". Pois bem. Quem leu esta matéria sabe que o governo espanhol estipulou algumas restrições para que pessoas não pudessem colocar captadores de energia solar em suas residências. Isso não tem nada a ver com privatização, certo? Mas o "engano" do jornalista não é exatamente acidental. Pelo contrário. É uma maneira eficiente de ajudar a demonizar a palavra "privatizar". E esta demonização do termo é algo bem antigo no ideário socialista, como todos bem sabem. Por isso é comum que usem o termo diversas vezes fora de seu contexto, assim podem desvirtuar seu significado e torná-lo mais fácil de atacar. Isso é quase como uma falácia do espantalho propagandística.

Creio ter discorrido suficientemente sobre os princípios da propaganda ideológica. No próximo artigo, pretendo abordar as reações populares e como elas são exploradas nesta guerra.

Para ver a primeira parte, clique aqui.