17 de junho de 2015

"Luta de classes" é cortina de fumaça!

Como libertário que sou, sinto-me no dever de alertar muitos de meus colegas e não-colegas sobre um fato importante. Tenho visto no movimento liberal uma forte tendência ao fusionismo que, sejamos francos, é tão natural quanto a luz do dia. O liberalismo passa por esse mesmo problema desde os primórdios. Mas sou mais otimista ao notar que, apesar de muitos quererem firmar "parcerias" com os progressistas ou com os conservadores, há também muitos que se recusam a se curvar. Ótimo!

Entretanto, vejo algo alarmante que a maior parte dos libertários não parece entender: as táticas usadas na guerra política. São muitas as táticas que movimentos mais... experientes, digamos assim, utilizam para conseguirem se firmar no cenário político e social. Mas nada, absolutamente nada é tão canalha quanto o incentivo à guerra de classes. Todo o empenho que se faz para gerar conflitos entre religiosos e não religiosos, negros e brancos, homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, e tudo o mais que você puder imaginar, é fruto de uma agenda política bem inteligente e muito bem elaborada por mentes afiadas.

Não confundam a estupidez de militantes histéricos com a sagacidade de seus controladores. Grande parte dos militantes acredita cegamente naquilo que defende, alguns por ignorância pura e outros por lavagem cerebral. Saber diferenciar um do outro - o ignorante do manipulado - é irrelevante, já que o resultado produzido por ambos é o mesmo. Trate-os como iguais, portanto. Mas jamais subestime a sabedoria política dos líderes dos movimentos políticos. E mais: não confunda líder com fantoche. Há pessoas que aparecem na imprensa, nas ruas, têm um rosto, um nome e uma voz. Elas se identificam como líderes mas nem sempre o são. Não raras são as vezes em que há outras pessoas por trás destes líderes dizendo-lhes coisas ao pé do ouvido, longe das câmeras e dos holofotes.

E por qual razão seria vantajoso incentivar a guerra de classes, afinal? A resposta para esta pergunta é simples. Trata-se de criar distração. É uma estratégia para nos desviar daquele que é o verdadeiro inimigo a ser enfrentado: o Estado, através de seus políticos e agregados. É só passarem a notar o teor do discurso e logo tudo ficará claro a qualquer observador. Estes movimentos dizem criticar o sistema, mas isso raramente acontece. Eles criticam apenas as peças do sistema das quais não gostam. É comum vê-los atacando alvos específicos que são, geralmente, políticos e partidos com os quais não possuem afinidade. Em suma, atacam o governo e o partido, jamais o Estado em sua essência. Por tal razão acontecem incoerências como criticar a guerra às drogas - e com razão - mas achar bonito quando o governo aprova uma lei proibindo restaurantes de colocar o saleiro na mesa. 

A tática se resume a nos distrair, nos jogando uns contra os outros na guerra para disputar quem tem maiores problemas de opressão social, e enquanto isso acontece aqui fora, lá dentro centenas de engravatados se lambuzam com caviar e aproveitam viagens de jatinho pagas, é claro, por nós mesmos. O Estado incha, partidos e políticos enchem os bolsos, e os cidadãos ficam à mercê de uma infinidade de canalhas dispostos a nos tornar cada vez menores diante da acachapante impunidade no país dos palhaços. Enquanto os bravos soldadinhos lutam por aí, os Mestres dos Fantoches que comandam movimentos sociais estão confortáveis em seus pequenos ou grandes luxos, secretamente dizendo "que se danem os pobres" nos seus casarões com segurança privada.

Tudo é embuste...