7 de junho de 2015

Infantilidade ou falta de estratégia? Eis a questão...


A imagem acima circulou na última semana nas redes sociais. Ela se tornou alvo de discussões acaloradas. De um lado, diziam que o aluno (ou a aluna) estava correto em avacalhar a prova, e que isso seria uma maneira de "protestar" contra o que chamam de doutrinação. De outro lado, alguns disseram achar uma atitude desnecessária e infantil. E quando falo em "lados", aqui, estou me referindo internamente ao próprio movimento liberal, que ficou dividido em sua reação a este evento.

Pois bem. A sensatez leva as pessoas a questionarem, em primeiro lugar, como opera a mente de um jovem que faz isso. É óbvio que, por ser jovem, ele é imaturo. Disso todos sabem, trata-se de uma realidade aplicável a 100% dos adolescentes. Mas a imaturidade dele, em parte, também é "culpa" nossa. Nós, masturbadores intelectuais de internet, sabemos perfeitamente como responder adequadamente a estas três perguntas sem desrespeitar o trabalho do professor e ainda assim respondê-las de forma correta. Porém, é válido perguntar: Este adolescente sabe como fazer isso?

A resposta é provavelmente negativa. Quando eu tinha 17 anos certamente não saberia responder. É possível que eu desse respostas semelhantes a tais questões. E se querem saber, acho louvável que haja pessoas com essa idade já com alguma noção sobre o liberalismo. Mas isso não basta. É preciso saber reagir dentro do mundo real, compreendendo ele em toda sua complexidade, para então atuar com eficiência. Com uma resposta bem elaborada, este jovem poderia tirar uma excelente nota na prova sem renegar a filosofia liberal que aparentemente adotou. Só que é improvável que ele saiba como fazer isso. O movimento liberal é emergente há bastante tempo, mas nós ainda pecamos em pontos bastante básicos. A saber, vou listá-los:

1) Onde estão os pensadores liberais brasileiros, produzindo jornais periódicos, explorando publicidade para inclusive poder distribuí-los "gratuitamente"?

2) Onde estão as nossas publicações literárias? Não existem liberais no Brasil capazes de escrever bons livros, mesmo que de ficção, para influenciar a juventude?

3) E professores liberais, quantos existem? Somos um bando de intelectuais boçais que se ligam em economia, finanças, direito... Mas onde é que estão os historiadores liberais? Quantos liberais se formam por ano em filosofia? Quantos destes que se formam nas "ciências humanas" publicam alguma coisa interessante?

4) Onde é que estão os liberais ativos, se organizando estrategicamente para as ações offline? Quantos estão dispostos a sair do conforto do lar, abandonando o ativismo de sofá, para efetuar algo no mundo real?

Acredito que se conseguirmos responder honestamente estas quatro perguntas, acharemos a resposta para a primeira questão levantada aqui: Este jovem, que respondeu as questões de forma "imatura", possui algum tipo de embasamento para respondê-las de maneira mais adequada e profunda? A verdade é que ele pode ter feito o melhor que consegue. Talvez ele tenha pouquíssimo contato com a liberalismo. Talvez ele só tenha conseguido ler alguns PDF's do IMB, que faz um excelente trabalho traduzindo textos e livros. Mas qual é a vivência que este aluno tem dentro das ideias liberais? Que experiências ele teve no trato com seus adversários ideológicos?

Talvez, como a maioria dos liberais criados na internet, ele tenha apanhado nos debates tal como Rodrigo Constantino apanhou para o Ciro Gomes naquele fatídico episódio do "Dá bilhão?"... Vale notar que Constantino tinha razão, Ciro Gomes estava redondamente errado (além de estar mentindo, é claro), e mesmo assim foi o político oportunista que levou a melhor, enquanto o intelectual liberal passou um vexame que nossos adversários  jamais esqueceram. Se nem Rodrigo Constantino conseguiu reagir adequadamente diante de uma discussão com alguém que ele sabia estar errado, o que esperar de um aluno, provavelmente do Ensino Médio, numa escola repleta de professores e alunos doutrinados? 

Nós precisamos fazer a nossa parte, isto sim!