20 de junho de 2015

A questão das armas como ela deve ser...

O foco deste texto não será muito didático no sentido de expor como a questão das armas ocorreu na história, pois para isso há pelo menos quatro artigos, de diferentes fontes, que podem ajudar a entender a questão. Aqui é mais uma questão ideológica ou filosófica sobre como abordar o assunto.

Sabemos que há países no mundo que se deram bem liberando o uso de armas (Suíça, por exemplo). Sabemos que há aqueles que se deram bem fazendo o oposto, como o Japão. O que estes dois países têm em comum é a tradição. Suíça e Japão, cada um com suas respectivas culturas, que em nada se parecem, adotaram posturas inversas na questão das armas e isso não é algo recente. A Confederação Suíça existe desde o século XIII, quando ainda era a Confederação Helvética. Desde os primórdios foi adotada a postura de neutralidade e, ao mesmo tempo, ficou estabelecida a cultura em que todo cidadão é um membro do exército, possuindo ao menos uma arma e treinamento adequado, para proteger a nação de invasores. E com o Japão, desde os tempos dos Samurais, foi adotada uma postura inversa, onde se proibiu o porte de armas (sim, espadas foram proibidas no Japão há muito tempo). Ambos os países possuem relativa estabilidade diplomática, ambos têm baixíssima criminalidade, ambos são países pequenos se comparados às maiores nações do mundo. A Suíça, por exemplo, tem menos habitantes que a cidade do Rio de Janeiro e muito menos que São Paulo. Por razões impossíveis de se determinar, a cultura destes dois países proporcionou a seus cidadãos maior conforto e segurança, principalmente se comparados aos países de terceiro mundo. A Suíça é ligeiramente melhor que o Japão em alguns quesitos, muito embora tal comparação seja um tanto esdrúxula por serem nações de culturas totalmente diferentes...

Onde pretendo chegar com este breve relato histórico? É que vejo nas discussões sobre a questão das armas muitos argumentos rasos. Geralmente estes argumentos vem do lado dos desarmamentistas, mas por vezes também ocorre no lado oposto. E isso é ruim para quem defende a liberdade do porte de armas.

Um argumento péssimo que se vê muito é o de que quanto mais armas houverem no lugar, menor será a criminalidade. E ele é ruim por não existir uma relação de causa e efeito entre o porte legal de armas e a criminalidade. É impossível mensurar isso porque as causas da criminalidade são muitas, e elas variam culturalmente. A qualidade de vida na Suíça é superior a de muitos países e isso naturalmente inibe a necessidade de crimes contra o patrimônio, por exemplo. É fato que o direito de se armar deve ser preservado: quanto a isso não há dúvidas. É melhor ter uma arma e jamais precisar usá-la do que precisar usar uma sem tê-la. Os pontos corretos para se defender o armamento civil, ou para lutar contra o desarmamento, são os seguintes:

1) Ter em mente que o porte de armas não é uma solução mágica para os problemas da violência urbana, mas que ele certamente é uma ferramenta que, se usada, poderá inibir alguns crimes e salvar outros indivíduos. Uma arma nas mãos de uma pessoa boa pode salvar a vida de alguém, e disso nós sabemos. 


2) Em se tratando de crimes como assaltos, existe sempre a questão da reação. Precisa-se ter em mente que nem sempre é possível reagir com eficiência e que, se este for o caso, talvez seja melhor nem reagir mesmo. O patrimônio é importante, mas preservar a vida de uma pessoa íntegra é sem dúvida muito mais urgente. Por isso é bom que se evite argumentar na direção de que todas as pessoas devam reagir sempre, pois isso é um frame muito negativo para nós. Os nossos opositores, que quase sempre são desonestos, usarão disso para nos tachar de extremistas, uma vez que preferimos ver uma pessoa boa se arriscando apenas para ver o bandido se dar mal. O que devemos, isto sim, é incentivar que mais pessoas tenham acesso a treinamento de defesa pessoal, e claro que também devemos defender o porte de armas, mas sempre tomando o devido cuidado para não entrar em arapucas ideológicas.

3) Jamais utilize o argumento mencionado antes, o de que "mais armas significa menos crimes". Isto não é exatamente uma verdade, e por duas razões. A primeira é que há fatores culturais além do porte de armas para se determinar o comportamento de uma sociedade. Segundo por também existirem países em que o desarmamento não gerou efeitos nocivos neste sentido, como o já mencionado Japão. Então, ao usar este argumento você acaba deixando uma brecha para que o opositor jogue isso contra seu discurso.

Por outro lado, é preciso ter em mente o uso de outra linha de argumentação, que é muito mais correta, que seria a de expor às pessoas o fato de que os japoneses estão de certo modo à mercê do Estado. Se amanhã um ditador assumir o governo e quiser ditar novas regras, o povo terá de aceitá-las e não terá muitos meios para se defender do exército. Com a Suíça isso jamais aconteceria, uma vez que os suíços são o próprio exército; todos têm armas, todos sabem usá-las e eles não recebem ordens de um soberano. Tal fato, inclusive, impossibilita que a Suíça ataque outros países e também permite uma melhor defesa contra invasores, o que impediu que Hitler a atacasse durante a segunda guerra. Então, se você usar esta linha argumentativa em prol do porte de armas, além de estar correto é muito mais legítimo. Defender indivíduos contra a tirania é uma frame positivo a qualquer momento, e você ainda poderá jogar isso na cara daqueles que discordam de você.


4) É muito importante, talvez seja até o mais importante, deixar claro o quanto o porte de armas beneficia muito mais o cidadão pobre do que o rico. Exponha para as pessoas que alguém financeiramente abastado possui milhares de maneiras de se proteger, podendo blindar o carro, contratar seguranças, colocar câmeras e cerca elétrica em sua casa, enquanto o pobre jamais teria dinheiro para tais coisas. Um revólver é um bem que pode ser comprado por uma pessoa pobre, desde que ela faça algumas economias. Até mesmo o treinamento ela pode economizar para fazer. Mas segurança privada, equipe de vigilância e cerca elétrica são coisas que mantém o orçamento alto por longos períodos de tempo. Uma pessoa de baixa renda não tem possibilidade de blindar o carro ou contratar uma empresa de vigilância, então ela fica à mercê da qualidade da segurança pública.
Mais importante do que a fé é o saber. Usar argumentos sólidos torna nosso discurso ainda melhor e muito mais sustentável em uma discussão. E nós defendemos a causa certa, por isso não precisamos apelar para falácias e mentiras; podemos dizer a verdade, da maneira correta, e os resultados virão. Abaixo seguem alguns links que citei anteriormente para conferir a história das armas no mundo. 


http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=975