20 de março de 2015

Monopólio da Virtude - Uma análise de caso

"Discurso branquista" e "Você é branco e heterossexual, portanto não pode se pronunciar sobre esse assunto"... Estas foram duas frases que li no dia de hoje, em uma dessas discussões inúteis da internet.

Pois é. O nível da estupidez está alarmante. Eu diria que aparentemente os debates sobre racismo e homofobia foram desvirtuados para uso político, para cumprir a agenda de alguns movimentos "sociais" e partidos. Mas dizer isso seria atenuar muito a questão. Não se trata de parecer. De fato, é isto. Já não importa mais tanto assim discutir as causas do racismo e os meios para evitá-lo, tampouco existe esta preocupação com o sexismo ou com a homofobia. Não mais! O que importa, agora, é fomentar ódio de classes e criar grupos sectários semi-autoritários.

Circula nos últimos dias pela internet um vídeo sobre isto. Ele mostra integrantes de algum movimento negro desses de esquerda, com discurso de esquerda e modo operante de esquerda, que interrompeu uma aula dentro de uma universidade - aula que nada tinha a ver com o assunto - para "reivindicar um debate" sobre a questão racial. A professora, que dava aula de economia (salvo engano), respondeu apenas dizendo que a aula dela não tinha relação com o tema, o que é apenas óbvio demais para precisar ser dito. Como os manifestantes - que eu prefiro chamar de aproveitadores folgados - continuaram pressionando, houve o momento derradeiro em que um dos alunos do curso se incomodou, pedindo para que parassem de interromper a aula.

Deste ponto em diante acontece uma discussão acalorada, mas não no bom sentido. Foi apenas de histeria coletiva, ameaças, xingamentos e acusações contra o rapaz que "ousou" se manifestar contra os manifestantes. Quando o rapaz diz que se sente igual aos negros, alguns deles imediatamente dizem não serem iguais; alegam que o rapaz, por ser branco, nunca sofreu preconceito, e que por este motivo ele não é igual aos negros... Coisas como esta foram ditas e repetidas durante o restante do vídeo, enquanto uma garota se fazia de vítima gritando e literalmente oprimindo as pessoas presentes.

Não é irônico negar a igualdade entre as pessoas, ao passo em que se luta para conquistar igualdade? Afinal, estes movimentos lutam por igualdade de direitos ou não? A resposta para estas perguntas é bem simples: Isto não faz a menor diferença! Não para eles. A ideia de tais grupos nunca foi conquistar a tal igualdade ou tão bradada "justiça social". Se, por ventura, eles conquistassem isso amanhã mesmo, teriam que ir para casa deitar em posição fetal e chorar, pois isto acabaria com pretexto da existência deles. E não é isso o que querem, obviamente.

A análise deste e de outros casos, como o da citada discussão lá no início do texto, é que pautas como "igualdade racial", "respeito à diversidade" e "luta por direitos iguais" foram totalmente abandonas por estes grupos. Eles ainda usam estes termos em suas falas e escritas, mas é da boca pra fora! Já não importa mais ter igualdade ou respeito às diversidades. Importa, agora, ter uma justificativa para existir, pois enquanto existem e fingem seguir estas bandeiras, tais movimentos podem, ao mesmo tempo, auferir mais pessoas que ingenuamente são iludidas nesse discurso embusteiro. E dito isto alguns perguntariam "Pra quê?", e respondo que isso é a ponte necessária para criar grupos de militância partidária. E que partidos utilizam esses discursos da mesma forma embusteira? Justamente os partidos de esquerda, que defendem regimes responsáveis por atrocidades contra a humanidade, além de também terem sido responsáveis por perseguição aos negros e homossexuais e pela objetificação da mulher. Mas, se o que importa é ganhar votos e conseguir alcançar as tetas do Estado, que diferença faz, não é? De que importa a coerência para vencer eleições, afinal, se mentir e usar pessoas é um caminho tão mais rápido e prático?

Pare e pense: O que pode ser mais hipócrita do que uma pessoa de pele clara, classe média e sustentada pelos pais, dizer que somente negros têm direito a opinar sobre o racismo, enquanto ele próprio opina sem preencher este requisito? O fato é que isso também pouco importa. Coerência discursiva e análise lógica dos fatos não fazem parte do glossário destes movimentos, por isso não tem nenhuma relevância, para eles, que o digam faça sentido ou não. O que vale é desmoralizar o adversário no debate, usando a cor de sua pele e sua condição financeira como argumento. E isso tanto é um fato que, justamente, de onde mais se ouve deste tipo de abobrinha é da boca de homens brancos, heterossexuais e classe média. Eles se sentem tão puros, tão glorificados, que para si próprios tal fato óbvio torna-se totalmente irrelevante. Afinal de contas, eles são os donos da virtude, da moral correta, das boas regras e dos bons planos. O monopólio das boas intenções é deles, mesmo que de boas intenções exista muito pouco ou quase nada. Independente disso tudo, em sua visão eles são verdadeiros heróis sociais.

Mas, o que poderia ser feito no lugar disso para combater o racismo? Em primeiro lugar, extinguir este tipo de comportamento. Tais formas de agir estão longe de servir para um debate construtivo, pois são atitudes dignas de espetáculo circense e dos piores! Em segundo lugar, é preciso reconhecer que o racismo existe mas que ele não será erradicado deste modo. Se sua preocupação é acabar com o racismo, a via mais correta é o diálogo, através da educação da sociedade. Invadir a sala de aula, tentar humilhar as pessoas que discordam de você e gritar o tempo inteiro não ajudarão em nada para acabar com o preconceito. É provável que isso até seja usado como pretexto ainda maior pelos próprios racistas, como de fato já acontece.

O que fazer para combater este tipo de manifestação abusiva? É preciso expor a todas as pessoas o fato de que eles é que são os racistas; expor que eles é que querem fomentar o ódio de cor e de classes. É preciso deixar claro às pessoas que o real objetivo destes movimentos é puramente político e quase nada social. E por interesse político podemos entender também que são movimentos partidários, cuja real intenção é conquistar mais pessoas para eleger alguns políticos "engajados" nas causas sociais. Outra coisa importante de se expor a todos é que tais movimentos por liberdades iguais e respeito às diversidades sempre foram pautas liberais, e que a esquerda se apropriou delas nos últimos cinquenta anos apenas para ganhar mais apoio popular.

É preciso expor, também, a grande fraude argumentativa e intelectual, a falácia, na verdade, de redução e simplificação forçada do discurso, que é justamente aquilo que leva ao monopólio da virtude. Isto acontece justamente no instante exato em que o interlocutor automaticamente te acusa de ser racista, machista ou homofóbico, apenas pelo fato de você ter apontado qualquer discordância. Isso empobrece o debate, mas também serve para ele te manipular diante das massas. Ao te acusar repetidas vezes enquanto você apenas se defende ou se justifica, o canalha acaba conseguindo incutir as acusações na cabeça de quem as escuta. E é isso o que ele realmente deseja. Portanto é preciso, mais do que se defender, atacar de volta. E se possível com mais força, mais ênfase, talvez até expondo-o ao ridículo por usar de tal artifício retórico tão baixo.

O fato é que debate construtivo não se pratica desse jeito. A imposição de ideias por meio da intimidação não só invalida os argumentos como, também, é um ato totalmente imoral e patético. Este ato é típico de proto-fascistas, que sempre apelam para o ódio quando se veem diante de alguma divergência opinativa. Pessoas assim, se tivessem mais poder, provavelmente agiriam com violência só para calar o opositor. São canalhas deste tipo que temos aos montes na política. Um monte de mini-ditadores, ávidos por dar ordens e se impor aos demais.