13 de novembro de 2014

Karl Marx

Algumas pessoas tentam apagar o passado. Outras apenas o esquecem completamente. A New Left, que não é pessoa, parece ser um organismo vivo ao agir no mais completo desacordo com suas raízes primitivas, enquanto, ao mesmo tempo, chupinha de todas as formas possíveis os conceitos que lhe são convenientes.

O que Karl Marx tinha de melhor era a barba e, talvez, o talento para escrever bons filmes de ficção. Se o mesmo tivesse vivido no século XX, quem sabe até teria contribuído para a indústria cinematográfica. Na época em que viveu, porém, escrever era a única forma de extravasar o tédio. Afinal, quem é gigolô não deve ter muito o que fazer na vida mesmo. E foi desse tédio, desse ócio criativo, que surgiram algumas das ideias mais estapafúrdias da filosofia moderna e, sobretudo, da economia. Mas o que se pretende aqui não é detalhar toda a quantidade imensa de equívocos e má fé. Vejamos somente o que mais pesa:

1 - Marx compreendia que o valor de uma mercadoria, para ser justo, deveria ter como base o trabalho exercido pelo produtor. Para ele, este trabalho determinaria o valor final do produto. Diante de tal princípio, pode-se afirmar que um buraco de vinte metros de profundidade, o qual tenha sido feito em um mês de trabalho diário por alguém, ainda que seja completamente inútil terá valor final elevado, devido ao fato de alguém ter trabalhado muito para fazê-lo.

Não é preciso dizer o quanto esta teoria é patética. É o tipo de auto-evidência que torna desnecessárias maiores explanações.

2 - Karl era sexista, via as mulheres como objeto de prazer e as comparava com bens e propriedades. As mulheres, para ele, eram apenas a propriedade de seus homens e, com o advento do comunismo, elas seriam coletivizadas, o que acabaria com os casamentos (contratos privados de propriedade, segundo ele) e levaria às mulheres a uma espécie de prostituição "social". Leia o trecho abaixo para compreender.

"Esse movimento que tende a opor a propriedade coletivizada à propriedade privada se exprime de uma forma completamente animal quando contrapõe o casamento (que é, evidentemente, uma forma de propriedade privada exclusiva) à coletivização das mulheres: quando a mulher torna-se uma propriedade coletiva e abjeta. Pode-se dizer que essa idéia da coletivização das mulheres contém o segredo dessa forma de comunismo ainda grosseiro e desprovido de espírito. Assim como a mulher deve abandonar o casamento em prol da prostituição geral, o mesmo deve acontecer com o mundo da riqueza, o qual deve abandonar sua relação de casamento exclusivo com a propriedade privada para abraçar uma nova relação de prostituição geral com a coletividade." (MARX, Karl - Ensaio 'Propriedade Privada e Comunismo')

3 - Karl Marx era racista.

O trecho de uma carta que Marx enviou a seu amigo - e sustentador financeiro - Engels, em julho de 1862, mostra que havia um tipo intrínseco de pensamento discriminatório contra os negros. Segue o trecho:

"É agora completamente evidente para mim que, como provam a formação de seu crânio e seus cabelos, ele descende dos negros do Egito, presumindo que sua mãe ou avó não tinha cruzado com um preto. Ora, essa união de judaísmo e germanismo com uma substância negra básica deve produzir um produto peculiar. A impertinência do camarada é também característica dos pretos?."

Para não ser desonesto, poderia-se abrir uma exceção, alegando que era o século XIX e que, naquela época, esse pensamento era comum. Alguns até afirmariam que a biologia da época ainda não era evoluída o bastante, e que a eugenia fazia parte de um inerente pensamento social. Todavia, se exatamente estas mesmas palavras tivessem sido proferidas por Adam Smith, David Ricardo, Mises, Hayek, por um Papa, por qualquer figura que seja oposicionista ao pensamento marxista/socialista, os marxistas cairiam em cima, usariam esta frase para tentar provar ao mundo o quanto seus adversários são racistas e preconceituosos. O que se percebe é uma indiscutível ideologia da conveniência. 

4 - Marx defendia a luta armada, genocídios e ditadura. 

Este ponto já é amplamente aceito. Mas, ainda existe uma parcela muito grande de membros da nova esquerda que pensa diferente. Eles dizem que o socialismo não tem nenhuma relação com os regimes stalinista, leninista ou maoísta. Alegam, por fim, que a ditadura e a luta armada não fazem parte do ideário comunista. Mas, a verdade é que fazem. Marx sempre deixou claro que, segundo seus ideais, seria justificável matar povos inteiros apenas para levar a cabo o plano comunista. Para ele, inclusive, matar pessoas que se opusessem à ideia era absolutamente aceitável. Não é por acaso que regimes socialistas ao longo da história tenham feito exatamente isso.

A conclusão que se tira, analisando estes quatro itens, é que Karl Marx está longe de ser esta figura paterna e querida que a new left tenta apregoar. Tanto ele quanto seus seguidores mais fanáticos foram canalhas da pior estirpe. Alguns chegaram ao ponto de se tornarem genocidas ditadores. E no que diz respeito à economia, Marx já falhava pelas bases. Como economista ele foi um excelente carpinteiro. E, isso tudo, porque nem se mencionou o fato dele ter deixado alguns filhos morrerem de fome, ou o fato de ter sido casado com uma aristocrata podre de rica, ou o fato de nunca ter trabalhado em praticamente toda sua vida e sequer saber o que era um chão de fábrica.

A partir de agora, desconfie de alguém que defenda Marx e diga apoiar causas sociais ao mesmo tempo. O discurso quase sempre não condiz com a prática.