27 de setembro de 2016

Ataque de Faustão a Temer deixa a esquerda sem saber o que fazer

Um vídeo tem circulado pelas redes sociais desde o último domingo. Trata-se de um trecho do programa Domingão do Faustão, no qual o apresentador Faustão faz duras críticas ao governo Temer, referindo-se especialmente ao caso da reforma educacional proposta na semana passada que incluía retirar a obrigatoriedade de disciplinas como Filosofia, Educação Física e Sociologia.

Primeiramente, não cabe aqui neste site explicar se Faustão está errado ou não. Por via das dúvidas, digo que sim, mas não quero desperdiçar tempo com explicações técnicas ou ideológicas. Via de regra, também não defendo políticos, por isso não farei nenhum tipo de defesa do governo Temer, especialmente porque do ponto de vista político ele tem sido extremamente desajeitado, para dizer o mínimo.

Veja o vídeo:


Este vídeo tem causado certo incômodo dentro da extrema-esquerda, e as razões são fáceis de entender. Uma delas, por exemplo, é o fato de que Faustão é da Globo, a mídia que eles dizem ser "golpista" e que alegam ter conspirado para derrubar o PT. Se endossarem o discurso do apresentador, inevitavelmente terão que aceitar o fato de que a crítica ao governo Temer foi feita, justamente, em um dos programas mais assistidos do país, por um ícone da mídia nacional e, acima de tudo, na mesma emissora que chamam de golpista.

Outra razão para que fiquem desconfortáveis é o fato de que Faustão é tido como um ícone popularesco, um apresentador "do povo", e não um desses intelectuais boçais com os quais estão acostumados. Se fosse um comentário feito por alguém como Gregório Duvivier, mesmo que na Globo, seria mais fácil para eles.

Aceitar a crítica de Faustão, para eles, é reconhecer algo feito por alguém que não faz parte do seu grupinho, da sua "elite" intelectual. Ao mesmo tempo é abrir mão do discurso fajuto de "mídia golpista", ainda mais se levarmos em conta que raras vezes críticas assim foram feitas contra o PT em um programa que não tem nenhum cunho político ou jornalístico.

A propósito, o que sugiro que seja feito, caso você veja alguém de esquerda compartilhando este vídeo, é justamente expor a hipocrisia do sujeito, mostrando para ele que a mesma mídia "golpista" está atacando Michel Temer em rede nacional.


O evidente enfraquecimento da extrema-esquerda

O trabalho que blogs como o meu e alguns outros temos feito nos últimos meses visa, justamente, demolir narrativas de esquerda. Este é nosso foco principal. O meu, especificamente, é também instruir direitistas, especialmente os liberais, a terem posturas mais firmes e eficientes no trato com os nossos adversários.

Diante disso, expresso grande alegria ao perceber que a extrema-esquerda entrou em uma espiral descendente, um conjunto de movimentos atrapalhados que são, no máximo, fruto de desespero. Isso tudo também é reflexo do fato de que estes partidos passaram as últimas duas décadas enfrentando pouca ou nenhuma oposição, e agora para onde quer que olhem enxergam adversários.


Caiu em meu colo na manhã de hoje um artigo escrito por um blogueiro petista chamado Bepe Damasco, no site Brasil 247. O texto inteiro é um ataque focado contra o PSOL, e tudo isso em virtude do desespero de Jandira Feghali. A comunista, no último debate entre os candidatos a prefeitura do Rio, fez um ataque a Jean Wyllys, do PSOL, chamando-o de misógino porque ele teria pedido voto em Marcelo Freixo, que é do seu partido, mas é também concorrente de Jandira.

Wyllys, em sua postagem, de fato critica sua colega Jandira por ela ter dado apoio a Eduardo Paes, atual prefeito do Rio de Janeiro, que é do PMDB. Na última eleição, em 2012, a comunista chegou até a gravar um vídeo pedindo apoio ao peemedebista. O deputado psolista viu, portanto, a oportunidade de malhar a colega a fim de dividir as opiniões da extrema-esquerda carioca e fazer passar a imagem de que Marcelo Freixo não tem "nada a ver" com nada disso.

No fim das contas, o que ficou realmente evidente é o fato de que eles estão desesperados. O PSOL, que foi linha auxiliar do PT desde sua existência, vem tentando fingir que não tem nada com isso. O que não se pode esquecer é que o mesmo Jean Wyllys que ataca Jandira também apoiou Dilma em sua campanha de 2014, gravando um vídeo para a propaganda dela. Dilma, por sua vez, tinha como vice um candidato do PMDB, hoje muito conhecido por Michel Temer.

Na prática, Wyllys não é melhor do que Feghali, nem o blogueiro petista do Brasil 247 é melhor ou pior que ambos. Eles são todos iguaizinhos, mas estão tentando forçar um racha para ver quem vai arregimentar mais seguidores extremistas. Eles precisam disputar o "pote de ouro", precisam preencher o vácuo que será deixado pelo fim do PT e pela inevitável queda de Lula. O PCdoB, entretanto, não pode simplesmente largar os petistas, pois a relação deles é muito mais antiga e mais íntima. Caberá ao PSOL se aproveitar dessa fissura e tentar escapar pelo cantinho, sem que ninguém perceba.

O que o blogueiro petista chama de "erro" do PSOL é, na realidade, a sua estratégia. O PSOL quer ser o PT do futuro, é um partido com a clara intenção de construir sua estrada até o poder total e irrestrito. É, acima de tudo, um partido mais perigoso que o próprio PT, pois nele há indivíduos que nem mesmo têm receio de demonstrar apoio a ditadores assassinos e facínoras.

19 de setembro de 2016

PHA: A tênue linha entre a insanidade e a picaretagem

Paulo Henrique Amorim, além de péssimo escritor e de seu extremo mau gosto estético, duas características visíveis em seu site, é também conhecido pela defesa vergonhosa de políticos corruptos e erros grotescos de gramática, como escrever "Serra" com C, em vez de S. Não bastasse isso, o "jornalista" agora é também adepto de teorias conspiratórias.


Em seu blog, o patético Conversa Afiada, Amorim apresentou algo que seria a sua "gloriosa descoberta": o fato de o juiz Sérgio Moro ter dado um curso nos EUA sobre lavagem de dinheiro, o que realmente é uma de suas especialidades.

Para sustentar a teoria conspiratória ridícula de que Moro é um agente do governo americano, tudo o que PHA apresenta é nada além de um documento que, ele mesmo reconhece, é de conteúdo público. Sim, não é e nunca foi um segredo. Aliás, consta no currículo de Sérgio Moro que ele tenha estudado e dado cursos nos EUA.

Estas informações nunca foram ocultas. Muito pelo contrário, aliás, como bem lembrou meu amigo Guilherme Schneider em seu site Café Político. São informações que constam na página principal da Wikipédia sobre o juiz. Confira:


Ou seja, Paulo Henrique Amorim é alguém que pode perfeitamente dividir uma cela acolchoada com figuras ilustres como Inri Cristo, pois certamente não se trata de um homem muito sensato. Por mais picareta que seja, uma pessoa mentalmente sadia teria a preocupação de não parecer estúpida desnecessariamente, mas este não é o caso dele. PHA certamente foi um canalha durante muitos anos e obviamente se vendeu por uma boa quantia em dinheiro, a grana que recebeu do governo federal durante o petismo. Só que isso ainda não justifica tanta estupidez.

O que justifica essa surpresa com Sérgio Moro a ponto de levantarem a teoria de que ele seja um agente estrangeiro, em meu entendimento, é algo que pode ser facilmente explicado pelo fato de que não há no Brasil precedentes no poder judiciário como ele. Nunca antes os juízes trabalharam tanto. Moro vem há mais de dois anos enfiado em interrogatórios, relatórios e documentos, certamente passa noites em claro e se debruça em cima disso o tempo todo. É um personagem que deixará sua marca apenas por ter feito o que nenhum juiz antes dele fez: punir políticos corruptos.

Aparentemente, isso assusta.